Passando a bola

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Vou comentar aqui algo que nossa colega Bela Expedito escreveu esses dias sobre o preço do acesso às grandes apresentações no Brasil. Bela citou como exemplo o show do U2 em 2006, custando mais de 200 reais, o show de Bob Dylan que acontece essa semana em São Paulo e Rio, ao absurdo que chega a 900 reais.

Aproveito para escrever sobre isso hoje, dia da apresentação de Iron Maiden no estado. Confesso que estou revoltada. Assim como Bela, que aguarda a vinda de The Cure ao Brasil, eu, durante toda minha adolescência aguardava a vinda de Iron Maiden. A primeira vez que o grupo se apresentou no país foi 1985, com passagem por Porto Alegre, inclusive. Até então, a única vez deles no estado.
Hoje, a banda fará a apresentação da turnê SOMEWERE BACK IN TIME WORD e eu não vou vê-los.

Em minha vida de repórter, poucas as vezes que não fui a um show com credenciamento de imprensa. Sempre escrevi muita coisa sobre shows, uma vez que o editorial mais evidente pra mim sempre foi cultura. Bem, solicitei credenciamento à produção do show e foi negada –“muitas solicitações”, foi resposta vinda no meu e-mail. Os ingressos promocionais esgotaram-se em questão de minutos. Para quem trabalha muitas horas por dia e mora a 75 quilômetros da capital do Rio Grande do Sul é um tanto complicado poder concorrer com quem madrugou na portaria do Gigantinho. Mas esses problemas são de menos, visto os valores absurdos dos ingressos. Promocionais a 100 reais e os demais 300 reais.

Verdadeiro absurdo para um país onde a demanda de fãs da banda não recebe mais de um salário e meio, ou seja, cerca de 600 reais por mês.

Bela tem razão. Mas não sei até que ponto. Esses dias, uma apresentação no Santander Cultural quase me chamou a ir para Porto Alegre. Apresentou-se lá José Gonzalez, um cantor bárbaro, nascido na Suécia, mas criado na Argentina. Show internacional, a custo de 10 reais. – Hã! Alguém falou alguma coisa? Isso mesmo, Cláudia, ingressos a 10 reais para ver José Gonzalez (vale a pena conhecê-lo: www.jose-gonzalez.com ). Tudo bem que seu público não é tão grande quanto de Maiden, mas é cultura, é importante e de fácil acesso.
Bem, assisti Rolling Stones de graça no Rio de Janeiro, em 2006. Tive de investir na viagem, mas se não fizesse isso, pagaria uma fortuna pra ver a banda na Argentina ou São Paulo, ou não os veria nunca mais.

Sinceramente, não consigo entender que uma capital como Porto Alegre não tenha um lugar apropriado para realização de um show como este. Vi Kiss e Metallica, em abril e maio, respectivamente, em 1999, lá no Jockey Club. Show bom, estrutura bacana e milhares de pessoas assistindo. Lenny Kravitz no Olímpico, e tantos outros, por aí. Bem, o fato é que Iron Maiden tem uma legião de fãs por todo o planeta. E limitar que 15 mil pessoas os vejam no Rio Grande do Sul é simplesmente lamentável.

Bela, me disse que está economizando para ver The Cure, provavelmente em abril eles virão. Bem, eu não poderia ter me dado ao luxo de guardar dinheiro para ver Iron Maiden. Afinal, qual é a prioridade?

No Brasil, assim como Belita disse, existe muito oportunismo. A falta de respeito para com o povo é vista de longe. Não quero ser injusta, pois há muita movimentação por parte de algumas entidades e órgãos para o desenvolvimento cultural do país. Mas por que não criar uma política para baratear os valores de ingressos de grandes shows e espetáculos? Cirque du Soleil tem ingressos de 200 a 400 reais. Quem pode pagar isso? E quem não gostaria de ver esse maravilhoso espetáculo ao vivo?

Recentemente, foi criada pelo Governo Federal uma loteria para os clubes de futebol poderem se reestruturar. Enquanto isso, os jogadores recebem milhões de euros, dólares, libras, marcos, seja lá o que for. Enquanto isso, os shows são realizados em lugares com capacidade mínima, com preços exorbitantes e sem condições da população ter acesso. E ainda, enquanto isso, os artistas recebem uma fortuna para se apresentar. É tudo muito contraditório. Em época de downloads quase incontroláveis, os artistas poderiam se mobilizar para baratear o custo dos shows, isso facilitaria muito.

O que quero dizer com tudo isso, é que se eu assisti Rolling Stones de graça, se pôde haver shows no Jockey Club com capacidade de 30 mil pessoas ou mais, se existe loteria para que os times de futebol se reergam, se o show de José Gonzalez custou 10 reais, por que não há políticas efetivas para se ter acesso à cultura? E isso cabe a qualquer manifestação cultural, não somente a shows. E também à toda comunidade, não somente aos governos. É possível haver um jeito!

Bem, depois disso tudo só me resta uma coisa, chutar a bola. Gol, sei que não farei, mas pode ser que tenha alguém que receba esse passe e a direcione para dentro da trave. Enquanto isso, fico na torcida.

Comunidade do iron no Orkut.: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=37963

Cláudia Kunst

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13 Respostas

  1. Muito bem, uma discossao que interessa a todos!
    Sou administrador de empresas, na prática minha funçao é maximizar lucros pra qualquer tipo de empresa, inclusive a de eventos. Porém, acho desprezivel qualquer segmento empresarial querer se sustentar por um anò às custas de um evento unico.
    Um filme voce pode ver por geraçoes e geraçoes…comida tb, pode ser fabricada por anos e anos… mas um show, antologico como é o do iron Maiden, por exemplo, é um absurdo ser cobrado o que é.
    Fora isso, sem querer desmerecer ninguem, também acho um absurdo que shows desta categoria sejam exclusivos das regioes sul e sudeste…
    Nós do Nordeste e mesmo do Norte do país somos fortes suficientes para elegermos um Presidente da República…por que nao nos é dada oportunidade de estarmos perto de nossos heróis?

    abraços

    JJ

  2. Fico pensando também se os artistas (principalmente internacionais) não tem um pouco de responsabilidade sobre isso, ou não tem o menor interesse de saber aonde vão tocar, se está caro o ingresso, quais as condições daquele país.

    Afinal são artistas do main stream esses que promovem megashows. Vinculados a uma mega indústria cultural. Acho que eles também tem sua responsabilidade.

    Mas discarto totalmente a possibilidade do ministério da cultura apoiar esses shows. Acho que a solução é com certeza a consciência de nós cidadãos usarmos o que a sociedade nos deixou como poder, o consumo… se o show está caro NÃO VÁ, e convença a todos a não ir… a lei básica da oferta e da procura. Se os ingressos estão caros é por que tem muito gente pagando esse preço sem reclamar.

    Total apoio a mais variedade de shows no nordeste.

    Abraçøs

  3. Faço das palavras de Marcelo as minhas também!
    Nada melhor do que o não consumo, para que os preços tornem-se mais acessiveis…

  4. Marcelo… concordo contigo na teoria, a idéia do NÃO VÁ é muito boa… mas tem toda uma questão cultural por trás disso, somos muito acomodados. E sempre tem o pessoal que paga! apesar do absurdo que é o preço do ingresso. Pior quando existem shows com datas muito próximas, ficamos no dilema que qual show devemos e/ou teremos condição de assistir.

    Precisamos fazer toda uma movimentação para baratear isso.

  5. Fui ao Gigantinho ver Iron Maiden pela segunda vez(assisti shows deles no mesmo local em 1992).
    Lembro bem daquele dia!Gigantinho tb super lotado e quente numa noite fria.Eu q ja assisti em Porto Alegre,Ramones(2X),no mesmo Gigantinho,Judas PriestGigantinho),Kiss e Metallica(no jOCKEI Club)e pude acompanhar a evolução e comportamento do publico frequente em shows desse porte,tenho absoluta ciencia d q shows d bandas Classicas(q tem publico cativo não só aqui),mas em todo mundo,exigem local apropriado e qualificado.
    Falta bom senso dos responsaveis na organização do evento para escolher local do show!
    No mais,o q mudou no IRON(referindo me ao show d ontem),foi a idade dos integrantes.
    D resto,continua sendo um som vigoroso e vibrante!
    Galera cantando junto quase todas as musicas(d+)
    Bruce Dickinson continua correndo e cantando mto!Voz inigualavel no Metal,sem duvida.Estrutura d palco tb é f…
    Aces High para iniciar os trabalhos foi d assombrar alguns na pista lotada.Vi mta gente passando mal e caindo.Tb ja vi tanta coisa em shows d rock q isso ha mto tempo não me incomoda +.Lógico,sinto por mtos q vi sendo retirados por seguranças antes mesmo do inicio do show.
    Era isso!UP THE IRON!Abração – Jr.

  6. Guris… em muito, concordo com o que Marcelo falou, até porque, não consegui colocar tudo o que penso no texto. Mas a verdade é que, como Leonardo disse, sempre tem os que acabam indo ao show e pagando o que é cobrado. Não concordo que o Ministério da Cultura deva direcionar qualquer verba pra isso. Mas deveria sim, se criar ações, movimentos, associações culturais para haver uma frente nisso. Com toda certeza, as produtoras visam lucratividade e ninguém irá botar pra perder. Mas quando todos tiverem acesso, não haverá como perder.
    Concordo ainda, com JJ. Por que o Nordeste e Norte, ou mesmo Centro-oeste não tem acesso a esses shows? Nós assistimos Ivete Sangalo em Porto Alegre. Por que os nordestinos, não tem o direito de ver uma banda de rock em sua região? Há gosto pra tudo, ué!

  7. Bem lembrado Junior: desculpas, não lembrava da passagem de Iron por POA em 92.

  8. É triste dizer mas o adjetivo que mais se aplica ao brasileiro em geral é individualista. O sujeito as vezes nem é de uma classe econômica superior mas prefere pagar duzentos reais (que pode ser muito comparado a sua renda mensal) do que protestar ou tentar organizar um boicote, simplesmente por que a pessoa tem o valor naquele momento.

    Tenho certeza que se os preços dos jogos West Ham United FC ficassem altos assim o nosso caro Esteve Harris e torcida inglesa com certeza iriam protestar.

    As vezes é dificil aceitar que somos individualistas, mas eu nunca imaginaria uma torcida de futebol brasileira invadir o campo e obrigar o juiz a desmarcar uma penalidade máxima a FAVOR do seu time, como já aconteceu na Premiere League.

    Quando todos nós tivermos esse senso de coletividade e ética não somente os show ficaram mais baratos mas viveremos em um outro país.

    Para quem quiser mandar uma mensagem para
    o fã clube do IRON MAIDEN protestando sobre os preços abusivos
    aqui no Brasa…

    IRON MAIDEN FC
    PO BOX 3803
    HARLOW, ESSEX – CM20 2BW – UK
    ou por e-mail: maiden@ironmaiden.co.uk

  9. Só uma perguntinha: os shows dessa banda foram fracassos de bilheteria?
    Não? Então, eles (staff, banda, empresários, promotores, etc) não estão nem aí.
    É isso.

  10. Eu concordo com o que foi “dito”… fico feliz em saber que ainda existam pessoas que tem peito de ressaltar a vergonha que nós brasileiros passamos diante tais acontecimentos.

    Eu felizmente consegui comprar meu ingresso para o show do Ozzy em SP, infelizmente nao no setor desejado. A tão sonhada pista vip, foi ilusão, começando pela falta de respeito com TODOS os fãs com a tal “pré venda exclusica, cliente citibank”. Pronto só essa pré venda por si só, ja resultou em desespero coletivo.
    Dentre outros problemas que aponto, como “ticketmmaster destinar apenas 20% dos ingressos de meia para os setores”. Aponto isso como GRAVE problema, vendo que o PROCON-SP, tem por lei constituido que TODOS OS ESTUDANTES TEM DIREITO A PAGAR MEIA ENTRADA EM QUALQUER EVENTO (dessa natureza, como cinemas,shows etc)

    Agora fica a pergunta, se é estudante é pq estuda e raros estudantes que trabalham (e mtos que trabalham se sacrificam para destinar esse dinheiro ao estudos e nao a “farra”). QUAL ESTUDANTE TEM 200 REAIS PRA PAGAR MEIA ENTRADA EM UMA PISTA VIP ?

    Me QUEBRA A CARA, e me Aborrece Muito é saber que o ingresso pista vip que poderia ser meu, ou de qualquer outro fã hoje ta na mão de um cambista safado que conseguiu comprar até 8 (SIM OITO!) ingressos de uma só vez com o seu LINDO CARTAO CITIBANK!

    Bom, esse foi o meu desabafo dessa VERGONHA TODA.

  11. Eu concordo com o que foi “dito”… fico feliz em saber que ainda existam pessoas que tem peito de ressaltar a vergonha que nós brasileiros passamos diante tais acontecimentos.

    Eu felizmente consegui comprar meu ingresso para o show do Ozzy em SP, infelizmente nao no setor desejado. A tão sonhada pista vip, foi ilusão, começando pela falta de respeito com TODOS os fãs com a tal “pré venda exclusica, cliente citibank”. Pronto só essa pré venda por si só, ja resultou em desespero coletivo.
    Dentre outros problemas que aponto, como “ticketmmaster destinar apenas 20% dos ingressos de meia para os setores”. Aponto isso como GRAVE problema, vendo que o PROCON-SP, tem por lei constituido que TODOS OS ESTUDANTES TEM DIREITO A PAGAR MEIA ENTRADA EM QUALQUER EVENTO (dessa natureza, como cinemas,shows etc)

    Agora fica a pergunta, se é estudante é pq estuda e raros estudantes que trabalham (e mtos que trabalham se sacrificam para destinar esse dinheiro ao estudos e nao a “farra”). QUAL ESTUDANTE TEM 200 REAIS PRA PAGAR MEIA ENTRADA EM UMA PISTA VIP ?

    Me QUEBRA A CARA, e me Aborrece Muito é saber que o ingresso pista vip que poderia ser meu, ou de qualquer outro fã hoje ta na mão de um cambista safado que conseguiu comprar até 8 (SIM OITO!) ingressos de uma só vez com o seu LINDO CARTAO CITIBANK!

    Bom, esse foi o meu desabafo dessa VERGONHA TODA.

  12. Nice

  13. very nice

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