A Dúvida de Ana Maria Braga

Perceberam como a maioria adora falar mal do Big Brother? Então eu vou falar bem, só pra contrariar um pouquinho.
Pois bem, desde o início do programa simpatizei com a Natália, a única participante gaúcha dessa edição. De cara fui com a cara dela. Linda, risonha, fala o que pensa e me fazia rir. Não por ser uma abobada, mas por toda a liberdade que ela exala. Ria de feliz por pensar que, mesmo que poucas, ainda têm gente assim por aí.
Ontem Natália foi eliminada do programa. Disputava o paredão com a cajuína Gyselle e saiu com 54% dos votos. Fiquei chateado, torcia pela vitória dela. Não por ser gaúcha, sem essa de bairrismos, mas por ela ser a que menos – ou nada – fingiu ali dentro. Sei disso pois tenho amigos que conhecem a Natália.
Hoje pela manhã li uma notícia que muito me agradou. Como de praxe, Ana Maria Braga recebe os eliminados no Mais Você, e hoje foi a vez da gaúcha. E Ana Maria, em mais um feliz rompante de sinceridade, disse que não entendia como Natália perdeu para Gyselle, já que essa última não fazia nada dentro da casa. Simpatizo muito com Ana Maria Braga, a acho extremamente competente. Por isso levei em conta a dúvida dela, e faço questão de dar meu ponto de vista sobre o caso.
Natália foi eliminada simplesmente porque as pessoas não estão prontas para a verdade/realidade. Têm preguiça de pensar e engolem o que vem pronto. Acho estranhíssimo que a maioria das pessoas quer encontrar alguém que seja, acima de tudo, sincero. Que preza a sinceridade acima de tudo. Mas se ofende ao ouvir que a sua blusa é feia. Ou que engordou. Ou que o corte de cabelo ficou igual a uma peruca velha. Ou então fica ofendidíssimo quando ouve falar em sexo e qualquer assunto desse gênero. Ou. Ou. Ou.

Natália não é um ET. Fez dentro da casa o que a maioria das pessoas fazem. Ela bebeu até vomitar, falou merda, falou abertamente com o “namorado”, falou de sexo, riu, chorou, brincou, pulou, ficou quieta… Enfim, ela foi o que é, sem nenhuma máscara ou pudor imbecil.
A maioria dos humanóides fala o tempo todo sobre o que gosta de comer, o que gosta de fazer, o que gosta de assistir, mas falar o que gosta na cama é feio. Feio?!?! Feio mesmo é roubar, é mentir, é matar, é ser hipócrita. E mais. Falamos o tempo todo de nossas mãos, pés, cabelos, unhas, mas ninguém fala sobre o pênis ou a vagina. Não é uma parte do corpo? O que tem de errado, ou de obsceno neles?

Os humanóides se acostumaram com regras e convenções de milhares de anos atrás. E continuam engolindo essas regras, sem pensar se elas são de fato válidas. Quando alguém que pensa e decide que o bom mesmo é ser livre, é abruptamente eliminado. Não só do Big Brother, mas das rodas. É o tal do espelho, que a psicanálise explica. Pessoas com assuntos mal resolvidos repelem o diferente, porque algo bate dentro delas. Foi isso que houve com Natália. Preferiram uma mamão-com-açúcar do que alguém real. Aí disse isso pra uma pessoa, e me responderam que as pessoas preferem é alguém que dê bom exemplo, não uma puta desbocada.

Pensei: se a pessoa realmente não bebe, não vomita, não trepa, não fala palavrão, não nada, ok. Mas é um bom exemplo a pessoa fazer tudo isso e se esconder atrás de uma máscara? É um bom exemplo mentir e se reprimir? É bom exemplo mentir e dissimular por um milhão de reais, ou pelo que for? Eu acho que não.

Nada paga o preço da liberdade. Nada paga o preço de ser feliz. Lamento que a maioria das pessoas preze por uma pureza de mentira, tenha medo de um inferno que não existe e carregue culpas que ninguém tem culpa. Lamento se a história diz que Jesus sofreu e morreu para nos salvar. Eu acho que é mentira, ele sofreu e morreu porque era diferente, não pra salvar ninguém. E se for verdade, muito obrigado a ele, mas a culpa não foi minha.

Desejo que Natália tenha força pra seguir em frente, pois talento pra chegar ao topo ela tem. Desejo que a Ana Maria Braga continue provocando as pessoas a pensar. Desejo que a humanidade pense um pouco sobre o que estão fazendo com suas vidas. Seus valores. Seus corpos, mentes e almas. Muita repressão transforma-se em câncer. E eu prefiro perder um milhão de reais mas continuar sendo livre para interpretar o meu melhor papel: eu mesmo.

Gabriel Leonardelli 

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4 Respostas

  1. INTERESSANTE, POREM NAO GOSTO D BIG BROTHER…
    a nathalia eh linda e simpatica, porem eh safada demais, aff oq vaum pensar das gauchas..

    c kiser psa nu meu
    http://ehtudoloco.blogspot.com

  2. Olha, Gabi, aí, com este teu texto podemos pôr a cabeça pra funcionar de várias formas. Conforme já discutimos no msn, tem toda uma edição por trás do que está nesse tal de BBB. Mas o fato é que, em muitas situações, mesmo em transmissão ao vivo, pudemos constatar a espontaneidade de Natália (sei lá se é com h). Não estou dizendo sinceridade e nem verdade, estou dizendo espontaneidade, o que valorizo muito. As edições são feitas, evidentemente pela equipe que deve cuidar dos sifrões da Globo.
    Mas querendo ou não, vendendo ou não, o programa é uma forma de entender a mente humana e suas fraquezas, ou suas forças. Assisti a duas entrevistas: uma com a família de Natália e outra com a mãe de Gyselle (que tb não sei se é com Y e 2 Ls). Na família da gaúcha, consegui sacar um sentimento de alegria, de entusiasmo pela vida, pela própria família. Havia um sentimento de família mesmo.
    Já na mãe de Gyselle, senti uma frieza absurda. Parecia que tinha dois sifrões nos olhos da mulher. Senti-a amargurada, decepcionada com a vida. Não quero dizer que seja isso, mas foi o que senti.
    Então, como o povo deixaria de dar um milhão de reais para um molecão como o Rafinha, que teve toda uma evolução dentro da casa? Um amadurecimento, que mostrou sua sensibilidade, sua cumplicidade para com seus “parceiros”?
    Eu concordo com boa parte do que escreveste neste texto, Gabi e ainda te digo o seguinte: não é possível haver máscaras para todo mundo. Por isso, acredito, cada dia mais que ainda há gente boa nesse mundo!

  3. Gostei do seu blog! Escreve muito bem, com muita veracidade. Parabéns!

    Quanto a Natália nada contra, mas acho que os exageros dela também demonstram superficialidade….

    um abraço!

  4. Tremenda bobagem o argumento “tenho amigos que conhecem a Natália”, pra justificar que ela estava sendo na casa o que é na realidade. Se não pela obviedade de que só existe uma realidade concreta, ao menos pelo fato de que seus amigos só poderiam exercer tal julgamento se possuissem parâmetros para tal: o que significa dizer que eles teriam que conhecer todos os outros concorrentes.

    O ponto alto foi lançar outro olhar para o menino feio da TV, o BBB. E olha, que eu nem sou tão fã assim.

    Abraços.

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