Terrorismo poético

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Delacroix, Eugene Arab Saddling his Horse,1855. Oléo sobre tela

“Nos Velhos Dias o turismo não existia. Ciganos, Tinkers1 e outros nômades de verdade até hoje vagam por seus mundos à vontade, mas ninguém iria por isso pensar em chamá-los de ‘turistas'”.

O turismo é uma invenção do século 19 – um período da história que algumas vezes parece ter se alongado em uma duração não natural. De várias formas, nós ainda estamos vivendo no século 19.

O turista procura Cultura porquê – no nosso mundo – a cultura desapareceu no bucho do Espetáculo, a cultura foi destruída e substituída por um shopping ou um talk-show – porquê a nossa educação é nada mais que a preparação para uma vida inteira de trabalho e consumo – porquê nós mesmos cessamos de criar. Embora os turistas pareçam estar fisicamente presentes na Natureza ou na Cultura, na verdade pode-se chamá-los de fantasmas assombrando ruínas, sem nenhuma presença corpórea. Eles não estão lá de verdade, mas sim movem-se por uma paisagem mental, uma abstração (“Natureza”, “Cultura”), coletando imagens mais que experiência. Muito freqüentemente suas férias são passadas em meio à miséria de outras pessoas e até somam-se à essa miséria.

Recentemente algumas pessoas foram assassinadas no Egito só por serem turistas. Contemple… o Futuro. Turismo e terrorismo – qual é mesmo a diferença?”
Trecho de Superando o Turismo, de Hakim Bey.

Hakim Bey é o possível pseudônimo de Peter Lamorn Wilson, mas não se tem certeza absoluta de que são a mesma pessoa mas há essa tendência. Esse senhor se auto-intitula um anarquista ontológico. A força dos seus textos e a maneira como defende seus conceitos contra a atual sociedade é algo quase visceral.

Alguns livros de Hakim Bey foram traduzidos para a língua Portguesa e lançados pela editora Conrad de São Paulo. TAZ – Zona Autônoma Temporária e Caos, há também um intutulado Utopias Piratas possivelmente do mesmo autor, mas assinado como Peter Lamborn Wilson.

Para ler acima e outros mais acesse
hakimbey.blogspot.com

Marcelo Pitel

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3 Respostas

  1. Viver a cultura é mais que uma passagem de avião até a praia paradisíaca onde se registram fotografia da bela natureza.
    Cultura está em qualquer lugar, basta saber diferenciá-la.

  2. A cultura ela se encontra em cada peciliaridade de um povo.mas o mais importante é saber respeitar.

    http://www.visaocontraria.blogspot.com

  3. Ele é bastante enfático no que diz, de maneira até mesmo demasiada para padrões éticos. Mas creio que sejam válidas as suas palavras.

    A busca por um sentido à vida é algo constante para todos. E quando ele fala do motivo pelo qual somos educados, toca a mente de quem lê a afirmação. De certa forma, ficamos convencidos da viabilidade de sua tese em relação ao turismo.

    Até mais!

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