Dramaturgia tem espaço na revista Teatro Brasileiro

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Em meio a uma tarde monótona de trabalho no Instituto de Arte Contemporânea, tive a incumbência de guardar documentos que não seriam usados na exposição sobre a obra gráfica de Willys de Castro e Amilcar de Castro, com curadoria de Lorenzo Mammì. Estava mexendo nos documentos de Willys, quando esbarrei com seis números de uma revista que eu nunca tinha visto, nem ouvido falar: “Teatro Brasileiro”.

Publicada pela primeira vez em novembro de 1955, era dirigida por Alfredo Mesquita e dedicava-se exclusivamente à cobertura da cena teatral no Brasil e no exterior. Estava aqui, no arquivo pessoal de Willys não por acaso. Willys de Castro era diretor de arte e co-fundador da revista. O projeto editorial buscava ser uma porta para a discussão de problemas e conquistas das artes cênicas, estabelecendo um vínculo entre os que fazem do teatro sua profissão e os que dele esperam cultura e diversão: o público. Investia ainda na coleta de material para refazer a memória do teatro nacional, buscando acontecimentos e pessoas que ajudaram a escrever a história das artes cênicas no Brasil. Décio de Almeida Prado e Sábato Magaldi eram os críticos mais assíduos. E o mais interessante: em todos os números eram publicadas peças de autores nacionais com fotografias das montagens. Dá-lhe espaço para dramaturgia! Como em nenhum outro veículo, peças, muitas vezes inéditas, que funcionavam como chamariz de venda para a revista, com direito à manchete na capa. E que, algumas vezes, quando internacionais, era resultado de um trabalho de tradução feito especialmente para a revista.

Esse veículo, após a criação da Escola de Arte Dramática (EAD) por Alfredo Mesquita em 1948, marca a transferência do debate público, que havia ocorrido na imprensa carioca nas décadas anteriores, para São Paulo.

“A renovação do teatro brasileiro a partir da década de 1930 deriva principalmente de dois fatores: o surgimento de um certo número de dramaturgos inovadores e a fundação de companhias de teatro que, associadas à profissionais estrangeiros no Brasil, transformaram significativamente as formas da representação teatral. Entre os autores responsáveis pela modernização dos textos teatrais, incluem-se Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna, Dias Gomes, Abílio Pereira de Almeida e Gianfrancesco Guarnieri. Em 1943, a encenação da peça Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro, pelo grupo Os Comediantes, dirigido pelo polonês Zbigniew Ziembinski, pode ser considerada um marco desta moderna dramaturgia brasileira. Em São Paulo, merece destaque o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), fundado em 1948, por onde passaram Cacilda Becker, Tônia Carrero, Paulo Autran, Fernanda Montenegro, além de muitos outros grandes nomes; e o Teatro de Arena criado em 1953, comprometido com a proposta de fazer um teatro politicamente engajado e que representasse, de fato a realidade social do país.” ( Décio de Almeida Prado do livro O teatro brasileiro moderno).

Fica a euforia pela descoberta. A vontade de saber mais. E o desejo, recorrente e apaixonado de fazer revistas neste país. Desta forma, como se fazia antigamente…

Livia Lima


http://www.iacbrasil.org.br/

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Uma resposta

  1. Que post bacana, Livia. Isto me faz lembrar dum jornal da minha região, que achei por aqui. O jornal era de 1955, nostalgia total, ano em que meu pai nasceu.
    É realmente fantástico, assim como esta publicação que fizeste, dividindo conosco, da + movimento este fato histórico da cultura brasileira.
    Grande beijo!

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