Archive for the ‘Claudia kunst’ Category

Respeitosamente, Bebeco Garcia
21/05/2010

Bebeco Garcia e seus escudeiros Egisto Dal SAnto e Fábio Ly, no Abbey Road, em Novo Hamburgo

Ainda lembro de quando ouvi Garotos da Rua pela primeira vez. Eu era uma pré adolescente, que já curtia vários rocks, mas o gaúcho, não dava muita atenção. Meu pai, entre umas garimpadas e outras, gravou a canção “meu coração não suporta mais” e ela penetrou em meus ouvidos de forma única. Aquele embalo realmente me convenceu de que eu estava perdendo algo.

Passei a ouvir os sons de Bebeco e cia. esporadicamente, sem pretensão de virar fã alucinada, mas sabendo que aquilo tinha uma qualidade ímpar.

Anos mais tarde, fui conhecer de perto a banda num festival que aconteceu em Dois Irmãos, não lembro bem o ano, mas foi depois da segunda metade dos anos 90. Apresentei aquele festival, onde, após anunciar o nome da atração principal da noite vi o que era rock feito com amor. Ao palco, subiram Garotos da Rua, comandados pelo Bebeco Garcia. Showzaço!

Lá por 2005, quando a + movimento já estava nas ruas, consegui conversar com Bebeco, numa entrevista que fiz quando ele lançou o disco Rio Grande Rio Blues, acompanhado de duas feras Egisto Dal Santo e Fábio Ly, O bando dos Ciganos.

Bebeco era alguém que realmente cativava as pessoas, sempre gentil e cordial. Ouvinte, embora expressivo.

Egisto Dal Santo, em seu livro *Notas de Viagens – aventuras e desventuras do rock gaúcho, dedica muitas páginas ao Bebeco e deixa explícito o seu respeito e admiração por um cara que deixará sua marca eternamente, como um dos maiores nomes do rock gaúcho e brasileiro.

E ao lado de Egisto e Fábio, meus amigos, naquela noite de 2005, no Abbey Road, em Novo Hamburgo, consegui entender a profunda admiração que Bebeco recebia e ainda recebe das pessoas ao seu redor, como baita profissional e grande pessoa, ser humano no melhor sentido da palavra que foi. Deixará saudades!

*Notas de Viagens – aventuras e desventuras do rock gaúcho – Armazém Digital

Anúncios

Inicia em março o Instrumental RS
23/02/2010

Pata de Elefante, Quartchêto e Camerata Brasileira

dividem o palco em turnê nacional em março


Primeira apresentação acontecerá em Florianopolis

O gaúcho de hoje é urbano, moderno, cosmopolita e traz nas raízes culturais a mistura de etnias italiana, polonesa, alemã, africana, indígena, espanhola, cigana e portuguesa-açoriana, entre outras. O projeto Instrumental RS, com patrocínio do programa Petrobras Cultural e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura foi idealizado justamente para mostrar esse viés e o que está acontecendo hoje no caldeirão do sul do Brasil. Serão seis shows em seis cidades brasileiras onde três importantes e diversos grupos instrumentais de Porto Alegre participam: Pata de Elefante- rock, Quartchêto- raízes regionais e Camerata Brasileira- choro. Em cada uma das cidades os músicos irão ministrar workshop para estudantes, músicos e interessados. Ao longo da turnê, que se inicia dia 3 de março em Florianópolis, está prevista a gravação de um CD em SMD, com tiragem de três mil cópias. As músicas serão disponibilizadas na internet para uso não comercial. Florianópolis (03/03), Curitiba (05/03), Tatuí (07/03) Rio de Janeiro (09/03), Belo Horizonte (11/03) e Porto Alegre (17/03) são as cidades contempladas.
O Instrumental RS vem para mostrar essa peculiar característica do sul do Brasil, numa viagem de sons, história, cultura, colonização e urbanidade, em sonoridades complexas e que traduzem a ausência de fronteiras culturais que forma o nosso caldo cultural. A produção é da Liga Produções.

OS GRUPOS
Pata de Elefante

foto: Danilo Christidis

O trio se diferencia por fazer rock instrumental com ênfase nas melodias. São “canções instrumentais” que atingem em cheio ao público acostumado a ouvir música com vocal. Gabriel Guedes e Daniel Mossmann se revezam entre guitarra e baixo, imprimindo a dupla sonoridade característica do grupo, sustentada pela bateria de Gustavo Telles. Formada em 2002, a Pata de Elefante tem dois álbuns lançados, circula nos principais festivais independentes nacionais, já realizou turnês em todas as regiões do Brasil e é  considerada pela crítica especializada uma das melhores bandas de rock  do país. No show, o grupo mostra seu rock sem vocais, dançante e explosivo.  No fim de 2009 conquistou o VMB (MTV) na categoria Melhor Banda Instrumental e lançou o clipe de “Um olho no fósforo, outro na fagulha”. Está presente na caixa com 16 Cds recém lançada pelo Rumos Música, do Itaú Cultural, incluindo artistas e grupos do Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile e Brasil. O lançamento do terceiro disco esta previsto para abril e sairá  pelo projeto Álbum Virtual, da Trama e também  em formato físico.

Quartchêto

foto: Inês Artigoni

O Quartchêto é uma unanimidade e está conquistando o Brasil de Norte a Sul com seu som refinado e harmonioso, que mistura os diversos ritmos da música gaúcha ao jazz, num resultado contemporâneo e universal.  A formação inédita que inclui trombone, acordeão, violão e percussão, viaja com refinamento e bom humor por xotes, vanerões, chamamés, chacareras, milongas, rancheiras e bugios. O grupo aparece como destaque no documentário “O Milagre de Santa Luzia” e também está presente na caixa com 16 Cds que acaba de ser lançada pelo Rumos Música, do Itaú Cultural, incluindo artistas e grupos do Uruguai, Argentina, Paraguai, Chile e Brasil. Inovador, criativo, diversificado. Assim é o trabalho que o grupo vem produzindo ao longo dos anos. Segundo Hilton Vaccari, violonista e compositor, as músicas surgem de experimentações, ou seja, o grupo se reúne e vai tocando, criando, deixando a música fluir, se misturar. O som ímpar vem da união do acordeão e do trombone e da mistura de instrumentos com tantas nacionalidades: a percussão da África, o trombone da Alemanha, a gaita da Itália e o violão da Espanha.  Muitas apresentações e turnês marcam a carreira do grupo, que percorreu o país através do projeto Natura Musical e que acaba de lançar seu novo CD “Bah”.

Camerata Brasileira

foto: Marcello Campos

O calendário já marca 8 anos. Somando, dá bem mais, basta contabilizar. Enquanto a maioria dos conjuntos de choro aposta no purismo de uma suposta “originalidade”, os porto-alegrenses da Camerata Brasileira prosseguem com a sua estética sonora inquieta, responsável por dois elogiadíssimos CDs, centenas de shows no Brasil, participação em eventos musicais no exterior e muitos prêmios, entre outros feitos. Essa proposta criativa, definida por Moysés Lopes, um de seus fundadores, como um “grupo de música instrumental com pés no Brasil e ouvidos no mundo” tem nas origens do estilo apenas a base para um trabalho desafiador, no qual os ramos e frutos são tão fundamentais quanto a raiz. Samba, jazz, baião, maracatu, improvisação, experimentalismo e até psicodelia, além de uma “bossa” quase rock, meio acústica, meio elétrica. Pixinguinha, Hermeto Paschoal, Garoto, Hamilton de Holanda, Baden-Powell, Ariel Ramirez e Felix Luna, catalisados em releituras surpreendentes para clássicos e contemporâneos mas também nas composições próprias que estão aí para confundir os rótulos e dar a cara ao tapa, mas sem fugir da briga. Os resultados são imprevisíveis e resgatam a essência do choro, que antes de tudo é um híbrido sem fronteiras. “Não há como se ignorar que música brasileira tem suas bases na integração das sonoridades de pelo menos três continentes, já que “o samba é made in Brazil, o violão vem da Europa e os tambores são africanos”, salienta Moysés Lopes. Pura provocação, com todo o respeito.
Para 2010 a Camerata Brasileira está organizando sua primeira temporada européia aproveitando que foi selecionada pelo Instituto Cultural Hispânico Brasileiro para realizar uma série de shows na Espanha. A idéia é esticar a turnê por Portugal, França e Dinamarca.

DATAS, HORÁRIOS E LOCAIS – todos os shows têm entrada franca, exceto o do Rio de Janeiro

FLORIANÓPOLIS
Dia 3 de março, 16h – Workshop no Centro de Eventos da UFSC – Sala Goiabeira
20h – Show no Centro de Eventos da UFSC – Auditório Garapuvu – UFSC – Campus Reitor João David Ferreira Lima – Bairro Trindade

CURITIBA
Dia 4 de março, às 20h – – Workshop no Wonka Bar- Rua Trajano Reis, 326 – Centro
Dia 5 de março, às 23h – Show no John Bull Music Hall – Rua Engenheiro Rebouças, 1645 – Rebouças

TATUÍ
Dia 6 de março, às 17h – Workshop no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí – Rua São Bento, 415 – Centro – Tatuí, SP
Dia 7 de março, às 20h – Show no Conservatório Dramático e Musical de Tatuí

RIO DE JANEIRO
Dia 9 de março – Sala Baden Powell – Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360 – Rio de Janeiro – RJ

BELO HORIZONTE
Dia 11 de março, às 16h – Workshop no Teatro Izabela Hendrix
21h – Show Teatro Izabela Hendrix – Instituto Metodista Izabela Hendrix – Rua da Bahia, 2020
Bairro Funcionários – Belo Horizonte/ MG

PORTO ALEGRE
Dia 17 de março, às 16h – Workshop no Auditório Dante Barone- Assembléia Legislativa RS – Rua Praça Marechal Deodoro 101 – Centro
20h – show no Auditório Dante Barone- Assembléia Legislativa RS

Less A Bullshit acertando o alvo
18/02/2010

“Que fique bem claro, fizemos música acima de tudo, rock”. E alguém duvida disso? Com um nome sugestivo como este, direto, explícito e auto explicativo, não tem como pensar noutra coisa senão numa banda de rock.

Less a Bullshit (L.A.B.) atira e acerta o alvo. Golpe de sorte? Trabalho árduo? Talento? Não se sabe ao certo se cada um destes itens é o que faz a diferença ou se o conjunto deles. E sem rodeios, o trio de Novo Hamburgo está alcançando o que muitas bandas com décadas de existência vem almejando. Participação no South by Southwest (Texas, USA), contrato com a gravadora londrina Curve Music, vários shows agendados e uma repercussão na mídia como promessa para 2010.

L.A.B. é formada por Dan Schneider – vocal, baixo, guitarra, sintetizadores e programação, Fe Fischer – guitarras, vocal e Moa Jnr. – bateria, percussão e vocal. Amigos e colegas de bandas remanescentes do rock do Vale do Sinos.

Dan Scheinder concedeu entrevista à revista + movimento e falou um pouco sobre a gravação do disco e sobre o som da banda que garante, apesar dos sintetizadores e programações eletrônicas, é rock.

Acompanhe na íntegra:

+ mov.Conte um pouco da história, de como surgiu a banda.
Dan Schneider – Era final de 2008. Eu e Fernando deixamos a Poliéster, banda em que tocávamos anteriormente, e montamos a L.A.B. junto com um amigo de adolescência do Fe, parceiro de primeira banda, o Moa.
Eu já estava compondo uma série de coisas, e no verão de 2009, demos início as atividades mesmo, ensaiando, tocando junto.

Qual o histórico dos integrantes da L.A.B. Bandas por onde já passaram, formação musical, etc.
Eu toco a mais de 20 anos. Sempre toquei instrumentos de corda. Guitarra, baixo, violão. Sintetizadores foi uma descoberta bem recente. Passei por várias bandas na adolescência, deixei um pouco de lado na época da faculdade, e retomei com força nos últimos anos. Minha última banda antes da L.A.B., assim como do Fe, era a Poliéster, de Novo Hamburgo também. Com ela, chegamos a participar do tradicional festival MADA, em Natal/RN, em 2008.
O Fe e o Moa tiveram banda juntos, na adolescência, eram amigos de infância praticamente. Começaram juntos. Depois, cada um desenvolveu outros projetos musicais. Fe tocava na Flash e Moa na Paradoxos do Tempo, ultimamente.

No myspace do grupo, há uma lista vasta de bandas que são suas influências. Onde podemos ouvir na música da L.A.B. nomes como Chico Buarque e Slayer?
Na verdade você está procurando as influências no lugar errado.
Ela está em nós em primeiro lugar. Estão guardadas. Talvez não apareçam explicitamente. Algumas aparecem, outras não.
Cresci ouvindo e tocando peso, hoje escuto menos. Slayer é a melhor banda de peso que já existiu. Mestres.
Quem sabe um dia, a gente toque uma num show. Quem sabe.
Na Rolling Stone saiu que nenhuma música sintetizava tão bem o leque de influências da banda, quanto “Uma Vida em 8 Bits” citando Chico Buarque, New Order e Depeche Mode. Talvez pela dissonância dos acordes, da harmonia, do clima brazilian junto a loops de bateria e sintetizadores vintage, de 8 bits. Chico tem letras muito boas. E algumas assim como essa, também falam sobre a simplicidade da vida.


O que fez a banda optar por cantar em português?
Não foi pensado. Foi automático. Falamos em português, não?
As letras são um aspecto muito importante para mim.
São pessoais e subjetivas. Elas dão um caráter único à banda. Canto a minha realidade e a minha verdade. Não é a única. Mas é a minha.
Fazemos questão que as pessoas consigam tirar algo daquilo que cantamos. Nem que seja para se divertirem, pura e simplesmente.

Até onde sei a banda está por completar seu primeiro ano de vida (não sei exatamente a data de fundação). Neste período, surgiram muitas resenhas em revistas, sites, convites para shows, participação num dos maiores eventos da América e um contrato com gravadora. Existe explicação pra tamanha repercussão?
Existe. Mas eu não sei exatamente qual é.
Não posso dizer que não existia nenhuma banda parecida com a L.A.B. no Brasil. Embora no auge da minha ignorância eu não conhecia.
Os principais fatores foram a música, é claro, e trabalho. Só isso.
Não pensamos em nenhum momento fazer algo inédito, para conseguir repercussão. Queríamos tocar, gravar, fazer shows. Tudo que uma banda normalmente quer.
Acabou que as canções foram sendo compostas e saindo de uma forma muito particular, principalmente pela linguagem utilizada em cada um dos instrumentos, e no resultado final disso.

O Rio Grande do Sul sempre teve a fama de ter as melhores bandas de rock. Sabemos de muitos nomes que vem surgindo sob influências da música eletrônica. Acredita que esta é uma nova era da música gaúcha?
Talvez sim. Mas continuamos fazendo rock, não? Apenas a linguagem é diferente. Quem já viu um show da L.A.B. entende o que eu quero dizer.
Isso não é um fenômeno gaúcho. É mundial.
A possibilidade da utilização de instrumentos virtuais, sintetizadores, emuladores de instrumentos caríssimos e inacessíveis a pouco tempo atrás, realmente me fascina e possibilita a utilização deles tanto numa gravação de uma música extremamente tradicional, erudita, num rock clássico emulando um Hammond ou um Fender Rhodes, ou em uma performance mais eletrônica ao vivo. As possibilidades são inúmeras.

Percebo que a tendência da música eletrônica está em evidência, e num formato diferente. Antes, não se via grupos deste estilo em cima do palco, tocando ao vivo. O que havia eram os DJs. Como vocês vêem esta evolução?
Como eu disse, a tendência da utilização de elementos eletrônicos é mundial. Seja qual for o tipo de música que você faz.
Mas com certeza, muita gente tem preconceito em relação a isso. Questão de conservadorismo mesmo.
Que fique bem claro, fizemos música acima de tudo, rock. Mas gostamos muito de barulhos estranhos, abrasivos, hipnóticos, repetitivos, etc na nossa música.

Vocês já foram citados por mídias como uma banda promessa para 2010. Qual banda vocês citam hoje, que pode vir a ser uma promessa, uma referência?
Não sei te dizer. Existem bandas que eu acho, na minha ignorância, que surgiram ontem, e já tem anos de banda.
Então realmente não sei dizer. Mas existem bandas novas muito boas.


O que vocês esperam do público em seus shows? Introspecção e reflexão diante das letras ou entusiasmo e passos saltitantes diante da empolgação dançante do ritmo?

Fizemos música. Sem a necessidade de uma música ter que soar assim ou assado. Desde que começamos. Temos canções mais introspectivas e reflexivas, como “O Falastrão” e “Sapatos ao Leite”, (essa última ainda inédita, estará no disco). Às vezes, deixamos algum som assim, de fora de um set list, porque queremos um show mais power geralmente.
Às vezes, tocamos nos shows, até porque não somos animadores de festinha. Somos músicos. E música tem altos e baixos. Assim como livros ou filmes.

Fale um pouco sobre o disco que está sendo preparado. Sabemos que está programado para este semestre ainda. Como será este lançamento?
Estamos terminando as gravações. Será lançado mundialmente pela Curve Music, gravadora de Londres/UK.
As estratégias de lançamento ainda não sabemos, até porque estão ainda sendo planejadas.

O que vem daqui pra frente?
Estamos bastante otimistas com 2010.
Tem o lançamento do nosso disco, agora em março a ida para o megafestival South by Southwest (Texas, USA), estamos recebendo convites de todo o país para festivais.
Vamos fazer muitos shows. Isso é certo. Vocês estão convidados!

Considerações finais e nosso agradecimento pela entrevista e votos de muito sucesso à banda.
Gostaria de colocar os links para que nos achem por aí, conheçam nossa música e fiquem em contato.

http://www.myspace.com/labrocklab

http://twitter.com/labrocklab

http://www.sonicbids.com/lab

http://curvemusic.net/

http://www.facebook.com/profile.php?ref=profile&id=1729075117#/profile.php?ref=profile&id=1729075117

Email para contato: labrocklab@gmail

Baita abraço! Muito obrigado,
Dan Schneider
L.A.B.

Fotos: Giovani Paim – http://www.giovanipaim.com.br / vídeo: Programa radarTVE

Cláudia Kunst

Eu queria ter inventado o Rock in Rio
13/01/2010

Hoje completa 25 anos do primeiro Rock in Rio, realizado no Rio de Janeiro. Eu tinha sete anos de idade quando via pela televisão aquele monte de gente na Barra da Tijuca, querendo ver um bando de artistas gringos que tinham aterrisado nos solos brasileiros.

Era muita gente, muita banda, muita estrutura, muita informação, muito de tudo. Mas era lindo de se ver. Foi na rádio Universal que eu ouvi, pela primeira vez na vida o Iron Maiden. Sim, eles estavam na primeira edição do Rock in Rio. Lembro de ouvir as bandas num rádio relógio que meu pai tinha no quarto e usava como despertador. Ele tinha um toca fitas bem tri pra época, mas não deixava mexer. Sobrava o rádio relógio, onde trocávamos de estação a todo instante pra ver quem estava tocando no momento.  Foram dez dias de puro êxtase voltado ao rock.

AC/DC, Scorpions, Iron Maiden, Ozzy Osborne, Queen, entre tantos outros que tocaram naqueles palcos instalados no Rio. Meu irmão mais novo e eu, brincávamos de roqueiros e usávamos duas raquetes de plástico para imitar as guitarras; e uma escova de cabelos redonda para imitar um microfone. Cantarolando um “embromation” no inglês, ficávamos a tarde toda em cima da cama, que era nosso placo, tocando e cantando os sucesso que faziam parte daquele mega evento.

Li hoje, na Folha Online,  o que disse Roberto Medina sobre a primeira edição deste evento. http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u574683.shtml. Confesso: eu queria ter inventado o Rock in Rio. Ousado, determinado e sem medo de ser feliz e de fazer feliz. Hoje, acredito que foi o Rock in Rio que me fez ficar apaixonada por produção de shows de rock. Além das bandas todas, adorava quando falavam nos noticiários sobre a estrutura montada, da parafernália que utilizavam as bandas, do público, de tudo. Rock in Rio foi uma referência para mim.

E a promessa para 2011 existe.  Resta saber quem serão os nomes que irão fazer nossa alegria. E espero poder presenciar isto ao vivo  e não mais ouvindo através de um rádio relógio.

Cláudia Kunst