Eu queria ter inventado o Rock in Rio

13/01/2010 - 5 Respostas

Hoje completa 25 anos do primeiro Rock in Rio, realizado no Rio de Janeiro. Eu tinha sete anos de idade quando via pela televisão aquele monte de gente na Barra da Tijuca, querendo ver um bando de artistas gringos que tinham aterrisado nos solos brasileiros.

Era muita gente, muita banda, muita estrutura, muita informação, muito de tudo. Mas era lindo de se ver. Foi na rádio Universal que eu ouvi, pela primeira vez na vida o Iron Maiden. Sim, eles estavam na primeira edição do Rock in Rio. Lembro de ouvir as bandas num rádio relógio que meu pai tinha no quarto e usava como despertador. Ele tinha um toca fitas bem tri pra época, mas não deixava mexer. Sobrava o rádio relógio, onde trocávamos de estação a todo instante pra ver quem estava tocando no momento.  Foram dez dias de puro êxtase voltado ao rock.

AC/DC, Scorpions, Iron Maiden, Ozzy Osborne, Queen, entre tantos outros que tocaram naqueles palcos instalados no Rio. Meu irmão mais novo e eu, brincávamos de roqueiros e usávamos duas raquetes de plástico para imitar as guitarras; e uma escova de cabelos redonda para imitar um microfone. Cantarolando um “embromation” no inglês, ficávamos a tarde toda em cima da cama, que era nosso placo, tocando e cantando os sucesso que faziam parte daquele mega evento.

Li hoje, na Folha Online,  o que disse Roberto Medina sobre a primeira edição deste evento. http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u574683.shtml. Confesso: eu queria ter inventado o Rock in Rio. Ousado, determinado e sem medo de ser feliz e de fazer feliz. Hoje, acredito que foi o Rock in Rio que me fez ficar apaixonada por produção de shows de rock. Além das bandas todas, adorava quando falavam nos noticiários sobre a estrutura montada, da parafernália que utilizavam as bandas, do público, de tudo. Rock in Rio foi uma referência para mim.

E a promessa para 2011 existe.  Resta saber quem serão os nomes que irão fazer nossa alegria. E espero poder presenciar isto ao vivo  e não mais ouvindo através de um rádio relógio.

Cláudia Kunst

Festival Psicodália de Ano Novo 2009/2010

08/01/2010 - 3 Respostas

Não era 1969, e não era uma fazenda em Bethel, Nova Iorque, nos Estados Unidos. Era 2009, e a fazenda era em Rio Negrinho, Santa Catarina, Brasil. Com as devidas proporções respeitadas, as mudanças mundanas, econômicas, políticas, sociais, os desejos e as vontades, podemos dizer que vivemos nosso breve Woodstock, na edição histórica do Festival Psicodália de Ano Novo 2009/2010 (entre os dias 30/12 e 03/01).

A ânsia libertária e/ou lisérgica já não era a mesma, os tempos, os ventos mudaram. A tríade sexo, drogas e rock and roll sofreu adaptações, e cada coisa vive no seu tempo. No nosso teve Malucos Malucos, Malucos Belezas e Malucos de Cara.

Jardim elétrico

“A diferença da psicodelia de hoje pra a daquela época? Pô, vai depender do ácido que você toma, bicho!” Assim começou a coletiva com Os Mutantes, quando Sérgio Dias foi questionado sobre o estilo.

Pelo nosso jardim, coletivo e gigante, em algum momento do dia, tu iria escutar o violão e versos de Plá (PR), poeta do acaso, marginal da melhor forma. Rodas de violão, batuques, flautas, gaitas, fumos, bebidas. Tinha gente de SC, RS, PR, MG, SP, RJ, PE, da lua e de outros cantos. Sempre um pra representar.

O espaço da fazenda era grande, “deveras pra caralho”, eu diria, citando Gato Preto (PR), que rolava direto na Rádio Kombi, rádio interna, que além de tocar bons novos e velhos sons, mantinha os psicodélicos informados sobre “achados e perdidos” e recados variados.

No campo, estilos variados, livres. Todos sacando a grandeza da coisa. Muitas Dálias (dinheiro local) circulavam e a água gelada era 1 Dália (R$ 1,00) e cerveja 2 Dálias.  Para comer tinha até praça de alimentação, pizzas, frutas, sanduíches, cachorros-quentes (Dog Dylan), xis (Rango Starr) ou o Prato Feliz, de comida mesmo; além da cozinha comunitária.

Minha vida é um palco iluminado

Teatro, oficinas, corpos pintados, artistas solitários, hippies vendedores garantiam sempre ter o que ver/fazer, atrações paralelas e constantes.

Os shows iniciaram na noite do dia 30/12, com a Eletric Trip (RS) e seu blues psicodélico, teve até loucão no palco plantando bananeira. Depois a Leprechauss(PR), com música celta, pirado.

No dia seguinte, 31/12, várias bandas passaram pelo Palco do Sol e pelo Palco do Pasto. Poucas Trancas (SP), num clima Secos e Molhados, junto com a Baratas Organolóides (SP) garantiram a atenção de quem curtia o Sol no meio da tarde. A noite, no Pasto, teve a Bandinha Di Dá Dó (RS), brindando o Ano Novo. Noite bonita, ceia coletiva, abraços, galera alucinada e show impecável, muitos moshs e um fotógrafo cambaleante.

Na sexta-feira, primeiro do ano, o grande show era com os vikings da Blindagem, mas antes, Pata de Elefante (RS). Uma patada aos olhos e ouvidos, como sempre.

Já no sábado, 02/01, era a hora e a vez d´Os Mutantes tocar. Logo cedo, às 14hs, no palco principal (Pasto) e sem cortinas, surge Os Mutantes, passando o som para quem quisesse ver/ouvir. (muitos escutaram de longe e não acreditaram na possibilidade. Ficaram nas barracas…) Nesse momento a coisa bateu. Tecnicolor arrepiou, admito. Logo teve uma entrevista coletiva, mas parecia um bate papo. Menos de 20 pessoas presenciamos e deu pra tirar foto com o velho.

Uns fãs os esperavam na saída. Camisetas, autógrafos, vinis, fotos e, na hora de partir, a van atolou. Deleite para os fãs, empurraram bem contentes! À noite, depois do envolvente e teatral show da Casa de Orates (SC), Mutantes no palco. Baita show. Luzes, lágrimas, berros, coros, cores. Clássicos e novas num show retinho, firme. Uma bela apresentação, Mutantes, lá no meio do nada, a céu aberto… não precisa de definições. Sérgio Dias e seu sorriso embelezavam os solos de guitarra.

No dia final, domingo, depois de Plá, foi a vez do progressivo Terreno Baldio. O líder, João Kurk, explicava e contextualizava as letras para todos curtirem ao máximo. Pra fechar o Festival, Maxixe Machine (PR) com seus macacões, cervejas, ritmos e poesias.

Teoricamente o Psicodália acabava ali, quase todos partiram. Mas finaleira ainda rolou o Palco dos Guerreiros, reunião com os Remanescentes e Carne Assada. A Rádio Kombi funcionou durante a noite, e eu posso garantir que ouvir alguma do Barret (não lembro qual era…), no primeiro Pink Floyd, num som alto, no meio do mato escuro é uma coisa bem boa!

Loucura pouca é bobagem

Sem muitos detalhes, tinha gente indo pra lua, outros tentando voltar. Tinha gente que só conseguia sorrir, abraçar, amar. Outros dormir, outros, pular, girar. Uns só conseguiam falar, outros pensar, outros, assistir. Tinha espaço até pra loucura de ficar sóbrio. Danças libidinosas, passos engraçados. O corpo como limite, mas nem sempre. Para o fim das noites o Sallon, onde de dia acontecia teatro, ou passava filmes como o Lóki era palco de batidas tribais, stripteases e doideras de toda ordem.

Goles de liberdade

As cerca de 4000 mil pessoas que tiveram por lá, curtiram boas doses de liberdade. Mato, barraca, lanterna, música, teatro, dança, expressões variadas. Nada mal se o tempo parasse, primavera nos dentes. Dias sem celular, internet, televisão. Dias de mãos dadas, de namorar nas barracas, sorrir entre amigos, conhecer mais pessoas. Podíamos tomar banho de rio, banho de lama, banho de sol, banho de chuva, banho de lua. Podia se fazer tudo, ou nada.

Estávamos todos lá, dias sem saber o que acontecia no mundo, nada, nada. Foi boa essa distância completa, acho que todos mereciam uns dias assim… ao menos uma vez na vida.

No terreno baldio você pode gritar

Pequenos hinos surgiam do nada e coros inusitados se espalhavam rapidamente.

Vale citar o “Doce doce doce doce, doce doce doce, doce doce doce”, o “Ei, paranormal, larga dessa aí e pega no meu pé!”, o  “O peito, peitinho, peitãããão!!! (esfregando na minha cara)” E também os gritos que se espalhavam – alguém numa barraca berrava, outro repetia e assim as palavras iam -, num coro gigante. Cito: o “aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa haaaaaaaaaaaa”, do Led Zeppelin; o “Bom diaaaaaa!” todas as manhãs,  e a  procura constante por “Wagneeeeeeeeeer!!!”, é claro.

O que é bom dura pouco

Por vezes me senti dentro de uma letra do Belchior, mas o tempo passou e a história acabou (todos querem mais). Agora, poluição, cidade, horários, prédios, compromissos, pessoas infelizes, eletricidade e as modernidades e comodidades do mundo. Não serei hipócrita dizendo não ter prazer ao chegar em casa e ligar o ventilador, tomar banho quente e deitar numa cama. Tudo é interessante, o negócio é viver, ser feliz, e curtir um pouco de cada. Uma coisa de cada vez, tudo ao mesmo tempo agora, senão, não tem graça. E eu não tenho vocação para frustrado. Eu quero e mais e mais e mais. (Isso não tem nada a ver com excessos e drogadições. Adoro estar bêbado, mas optei por assistir Os Mutantes sóbrio. Duas latinhas e muitas lembranças)

Enfim, mesmo com a saudade de Arnaldo, o público delirou com Sérgio Dias, Dinho Leme e sua trupe. Os Mutantes, todas as atrações e organizações envolvidas cravaram o evento na história. O Psicodália de Ano Novo acabou, mas os 2010 estão apenas começando… e, só pra relembrar Raul Seixas, a chuva promete não deixar vestígios…

Obs.: Esse foi o meu 1º acampamento, meu 1º Psicodália. Meu e de minha esposa, Bárbara Andrade. Curtimos bastante. Ficamos juntos de uns bons amigos, numa pequena vila dentro de um potreiro, vendemos bastante bottons, fiz boas fotos e é por isso tudo e por todas as coisas as que cada foto me lembra, que posso dizer:

Até o ano que vem, Psicodálicos!


Giovani Paim – http://www.giovanipaim.com

Toque no Brasil é a nova sensação da música independente

07/01/2010 - 2 Respostas

Só se fala nisso: Toque no Brasil. Um site desenvolvido para que as bandas independentes de todo Brasil possam se inscrever para garantir uma vaga, entre as 500 disponíveis no Grito Rock, que ocorre em mais de 70 cidades do território nacional.

O cenário independente vem conquistando um espaço como nunca teve antes e isto está fazendo com que coletivos, produtores, bandas e casas de shows se mobilizem para fazer parte deste movimento. Além disso, é uma possibilidade das bandas darem uma respirada e uma folga para os bolsos, visto que os eventos tem algumas ajudas de custos com alimentação, transporte e até cachê, dependendo do local do show. Mas não se pode esquecer do que é principal nesta história toda: a divulgação e circulação do nome da banda por todo evento, mídas relacionadas entre outras.

Com a iniciativa do Circuito Fora do Eixo, a proposta é fazer com que as bandas se increvam para concorrer a pelo menos cinco vagas que estão diponíveis em todo Brasil. As bandas, ao se inscreverem podem, inclusive escolher os lugares onde pretendem tocar, caso sejam selecionadas.

Tamanho sucesso do projeto, em menos de dois dias com o site no ar, o Toque no Brasil recebeu mais de 600 inscrições. E elas continuam até o dia 15 de janeiro.

Toque no Brasil é um projeto realizado através da parceira entre a ABRAFIN (Associação Brasileira de Festivais Independentes), BM&A (Brasil Música & Artes – entidade conveniada à APEX), Casas Associadas e Circuito Fora do Eixo.

Veja o vídeo de divulgação:

Cláudia Kunst

+ movimento e Izmália, em Ivoti

17/12/2009 - Leave a Response

Como ja se sabe, o blog + movimento apóia diversas atividades culturais. E amanhã, acontece o show com Izmália, no Pub du Kascudo, em Ivoti/RS.

Izmália recebeu o prêmio Açorianos 2008 de Melhor Interprete e fará show a partir das 23h. Os ingressos custam 8 reais até as 23h e depois disso  12 reais.

Mais sobre ela: https://maismovimento.wordpress.com/2009/09/13/pqp-sim-e-um-palavrao/.

http://www.izmalia.com.br

The Best of Metal comemora 10 anos

03/12/2009 - Leave a Response

Comemorando os 10 anos do maior festival de metal que a região ja viu


Vem aí a comemoração do maior festival de metal que a região do Vale do Sinos/RS ja viu. O The Best of Metal, festival que reuniu dezenas de bandas e centenas de pessoas durante três anos de existência está completando 10 anos. E para festejar esta data, acontecerá no dia 11 de dezembro, no Pub du Kascudo, em Ivoti/RS, um show com as bandas: Song´s of Judas, Carniça, que tocou na primeira edição, em 1999 e Sabbra Cadabra que tocou na terceira edição do festival, em 2001.

O intuito da organização é fazer com que todos os amantes do heavy metal se reúnam novamente numa confraternização em nome do estilo que revolucionou a região durante muito tempo.

Serviço:
11 de dezembro
Pub du Kascudo, em Ivoti
Ingressos 10 reais e com nome na lista, na comunidade do “Festival The Best of Metal” no orkut, paga 8 reais.
Bandas: Song´s of Judas, Carniça e Sabbra Cadabra