Dois Irmãos terá seu primeiro recital do ano
02/06/2010

Apresentando o violoncelista Rogério Schieh Barbosa e o pianista Pedro Henrique G. Sperandio. Ambos são vencedores do Concurso Jovens Solistas de 2010, promovido pela Orquestra de Câmera SESI FUNDARTE. No dia 10 de junho apresentam-se junto com a Orquestra, no Concerto comemorativo ao aniversário da FUNDARTE, em Montenegro.

 O Duo faz também várias apresentações em Porto Alegre, Santa Maria e Dois Irmãos e logo após, partem para o Canadá onde participarão de novos cursos. 

No Espaço Cultural Antiga Matriz de São Miguel em Dois Irmãos, o Recital acontecerá no dia 15 de junho, terça-feira, às 20 horas com entrada franca.

O evento é uma promoção da AAPHeC, Associação de Amigos do Patrimônio Histórico e Cultural e Prefeitura Municipal.

Dez anos de The Best of Metal
29/01/2009

Tempinho desses, fazendo a reportagem sobre o Betinho Klein e seu teatro, conversei com meu amigo e ex-colega de jornal, Ralf Rodrigues, publicitário, grande cara, tri profisssional… Ele acabou me enviando algumas imagens da peça Natal na Colônia, uma vez que sua esposa, Carine Bier atua no espetáculo. Bem, mas conversa vai, conversa vem e Ralf disse que tinha em arquivo os cartazes que fizera para alguns dos shows que produzi há alguns anos. Entre eles, o material do primeiro The Best of Metal. Hoje pela manhã, para minha surpresa, um e-mail do Ralf com a seguinte descrição:

“Oi Claudia.
Conforme havia prometido, seguem JPGs dos cartazes do show do Wander Wildner e do The Best of Metal.
Creio que eles possam ser úteis (ou no mínimo interessantes) pra ti.
Abração,


Ralf “Gugui” Rodrigues”.

Cartaz da primeira edição do The Best of Metal

Cartaz da primeira edição do The Best of Metal

Bem, serão úteis e mais ainda interessantes, pois trouxe à minha memória uma sensação de nostalgia, relembrando aquela noite e mesmo os dias que antecederam a produção.

Era dezembro de 1999 e cinco bandas fariam uma reunião em alusão ao rock. Não necessariamente ao metal, pois constava na lista, uma banda punk. Na época, eu trabalhava no Jornal Dois Irmãos e consegui o apoio da empresa para confeccionar os cartazes, flyers e algumas matérias para divulgação no próprio jornal. Conseguimos ainda, a montagem do palco através do apoio da prefeitura de Dois Irmãos. O local da realização era a sede campestre da Sociedade Atiradores de Dois Irmãos. Lugar lindo, propício, apesar de esparramar o som aos quatro cantos da cidade, pois aconteceu ao ar livre.

Dias antes, cartazes por tudo quanto era lado da região. Noites idas até mais tarde, fazendo divulgação do evento, confeccionando e distribuindo material. Aquilo tinha que dar certo. Era o primeiro que eu ajudara a produzir.

O dia 10 de dezembro de 1999 chegara e era inevitável a ansiedade para que tudo desse certo. E mais, que o público comparecesse. Havíamos tentado organizar da melhor forma, havia deslocamento para os hadbangers vindos de cidades vizinhas, ingressos antecipados através do apoio de algumas empresas e amigos; mas o público é sempre incerto. Uma loteria.

Horário dos portões se abrirem: 20h e alguma coisa. Montagem de palco pronta, equipamento precário, sem estrutura alguma para bandas de rock tocar decentemente. Uma mão aqui, uma ajuda ali, outra caixa lá e uns botões regulados e uma onda de pessoas descendo a ladeira da sede campestre. Esta cena não sairá da minha cabeça tão cedo. Em cima do palco, anunciando a primeira edição do The Best of Metal, com as bandas Ordinários, Season, Empire of Darkness, Bertram e Carniça, o frio na barriga era total. Depois deste festival, o The Best of Metal teve mais duas edições, tão importantes quanto a primeira.

O medo se foi quando os primeiros acordes iniciaram. Aquele pessoal todo (eu esperava umas 50 pessoas, mas devia ter perto de 400) batendo cabeça ao som do rock tocado ao vivo pelas bandas da região. Momento mágico. Momento memorável que completará dez anos em dezembro deste ano. Momento de felicidade; uma felicidade que tivemos a honra de proporcionar àquele público que se divertiu até o amanhecer.

Cláudia Kunst

Do teatro, sua vida
20/01/2009

Esperando o Thiltapes

Betinho, no espetáculo Esperando o Thiltapes

Carlos Alberto Klein. Para muitos, este é apenas um nome num blog por aí. Porém, para muitos, principalmente para esta repórter que vos escreve, Carlos, mais conhecido por Betinho, é um ativista cultural vencedor. Natural de Dois Irmãos, hoje com 40 anos, Betinho padeceu muito até obter um reconhecimento ímpar como o que está tendo com suas peças e outras produções, principalmente ligadas ao teatro.

Resolvi entrevistar Betinho, não somente por seus feitos na área cultural da região do Vale do Sinos, mas também pelo seu carisma e personalidade cativante. Quando cito que ele é um ativista nesta área, não minto, pelo contrário, é um ativista incansável. Atualmente dedicado ao seu grupo de teatro Curto Arte, situado no centro de Dois Irmãos, Betinho conta com a parceria dos atores Cristiano Schenkel e Odair Weisheit, além de outros que participam em várias de suas apresentações pelo estado.

Sem querer deixar suas raízes esquecidas, Betinho escreveu inúmeras peças dedicadas à cultura alemã, principalmente, sobre os imigrantes, desbravadores da região. Sempre com muito bom humor, suas apresentações renderam diversos prêmios em festivais de teatro, levando a curiosidade, história e a paixão deste povo aos seus seguidores.

Acompanhe o bate-papo com Betinho que, sem dúvida tira leite de pedra quando soma mais de 50 mil espectadores em suas apresentações. E muitos destes, até então sequer sabiam o que era uma peça teatral.

Há quanto tempo tu trabalhas com cultura?

17 anos

Como foi o começo, como partiu a idéia de trabalhar nesta área? Sempre gostei muito do envolvimento cultura, no começo tudo é mais difícil, mas aos poucos tu começas a traçar um caminho e tudo fica mais fácil.

Quem é da região do Vale do Sinos conhece teu esforço e determinação a fim de evidenciar a cultura, principalmente na cidade de Dois Irmãos. Como foi trabalhar durante muitos anos nesta região e ficar dando murro em ponta de faca?

Na verdade, a cultura é difícil em todo o nosso país, mas nós, que gostamos muito do nosso trabalho, acreditamos que viver dela só se for com muita persistência. Quanto a Dois Irmãos e região, não é diferente em outros lugares, as pessoas demoram pra entender que a cultura pode ser uma opção de lazer, e muito agradável por sinal.

Tu fazias show de rock, festivais teatrais, além de outras atividades. Hoje, noto que tu estás mais voltado às tuas peças teatrais extremamente segmentadas. Como aconteceu esta mudança? Recentemente realizei o show da banda Cachorro Grande em Dois Irmãos, o festival de teatro continua… A razão de não fazer mais shows é também por falta de opções, mas claro estou me dedicando mais pra os meus textos.

Fale-me um pouco dos festivais que realizas anualmente. Existe o festival de Teatro Amador de Dois Irmãos, o Festival Escolar… Quais edições estão e qual o público alvo destes eventos?

O festival de esquetes teatrais está na IX edição e acontece sempre no mês de setembro, o festival acontece para grupos de várias cidades gaúchas, amadores e profissionais, e o público que assiste é geral, o festival acontece justamente para formação de platéia, pois o público nunca sabe o que vai assistir, se é drama ou comédia. O festival escolar teve sua última edição no ano de 2006, em homenagem ao Adriano Schenkel, quem sabe volte este ano, foram cinco edições.

Tu abriste um nicho cultural muito forte. Estás levando ao teatro pessoas que, sequer, assistiram a uma peça em sua vida. Como tu te sentes vendo pessoas culturalmente desinformadas em teus espetáculos?

Na verdade, eu não diria desinformadas, são pessoas que talvez porque a cultura estaria centralizada em capitais e cidades maiores, elas não teriam a oportunidade cultural. Mas este público, que eu até diria um novo público teatral é maravilhoso, é muito sincero e crítico.

O que falta hoje para que as pessoas possam ir mais a eventos como este?

Convencer o público que a cultura pode ser uma opção de lazer, e que eles dêem o mesmo valor pelo preço de um jantar gastando 30 reais e ao pagar o seu ingresso para alguma apresentação. Que tenha uma importância igual ou até mesmo parecida.

Fale um pouco das peças que montastes, Receitas da Tia Herta, Nós Somos Mesmo Maravilhosas, entre outras, inclusive a mais recente, Natal na Colônia.

Sempre trabalho muito próximo ao realismo, dando uma importância na pesquisa para montagem dos textos e personagens.

Em várias peças que assisti, algumas até mais de uma vez, notei que o público das cidades onde atua se identifica muito, tanto com o sotaque alemão, quanto com os aspectos do cenário, figurino, etc. Mas como é a reação do público que não participa disso cotidianamente, público de Porto Alegre, por exemplo. Qual a diferença de reações destes públicos?

É muito boa, pois os textos em cena são da realidade de muita gente que mora na capital, as pessoas sempre lembram dos personagens com alguém parecido deles na família que mora no interior. O bacana disto tudo é a oportunidade que nós, da origem alemã temos para mostrar na capital ou até mesmo em região de italianos, que nós também temos história pra contar. Até pouco tempo, tínhamos medo do nosso sotaque, servia somente para piada, hoje escrevo textos com muito orgulho do nosso povo, não concordo em somente fazer piada do nosso sotaque, temos muitas coisas maravilhosas para falar, e sem medo.

Tens noção do número de pessoas que assistiram a essas peças?

Em torno de 50 mil.

Quem faz parte da Curto Arte?

Odair Weisheit, Cristiano Schenkel, Mara Marques, Cintia Unhoff, Karine Bier, Daia Schenkel , Luana Klein, Natana Lampert , Jordana Fuhr Carlos Klein.

Sabemos da perda de um companheiro do grupo, Adriano Schenkel. Uma perda trágica. Como vocês conseguiram levar os espetáculos adiante. E como aconteceu a entrada do próprio irmão de Adriano no grupo?

A vida nos prega muitas surpresas, mas têm coisas que muitas vezes não entendemos, o Adriano é único e sempre será. Ele hoje, é sem dúvida uma das grandes forças para a gente continuar. A entrada do Cristiano foi um processo natural, ele gostava do teatro como o irmão dele também, mas ainda não tinha optado em trabalhar no teatro no dia a dia, no começo sempre há aquela comparação, mas o Cristiano soube muito bem superar isto. Ele tem o seu jeito e Adriano tinha o dele, quando o convidei para trabalhar na Cia. ficou muito feliz, sabia que a história do irmão não iria parar ali, e nem parou, pois sabemos que o Adriano nos acompanha todos os dias.

Betinho, Odair e Cristiano, na peça Nós somos mesmo maravilhosas

Betinho, Odair e Cristiano, na peça Nós somos mesmo maravilhosas

Como Beto Klein é visto hoje em dia perante a sociedade artística, perante os poderes políticos nestas cidades em que atua?

Talvez como um vencedor ou talvez como mais uma pessoa. Mas de uma certeza vocês podem ter, o Beto sempre quis fazer história e não somente viver dela, e isto eu tenho conseguido.

Hoje, o grupo Curto Arte possui uma sala, no centro de Dois Irmãos. O que acontece neste espaço?

Cinema, teatro, musica…

Faça um balanço da tua vida artística, Beto. Dos acontecimentos, prós, contras… dos grupos, festivais, acontecimentos.

Não tenho a falar contra, pois sempre soube que não seria fácil. Mas falar como é maravilhoso é muito bom, pois não tem coisa melhor do que viver da cultura, quando se gosta.

Quais os próximos passos da Curto Arte e de Beto Klein. O que podemos esperar para 2009?

Vou lançar um livro do espetáculo RETRATO, e trabalhar muito nos espetáculos prontos. Vamos voltar com os espetáculos infantis e a temporada de verão começa no dia 20 de janeiro na cidade de Feliz, com o espetáculo Nós Somos mesmo maravilhosas vão à praia.

Pra finalizar esta matéria, quero te dizer sobre minha admiração. Acompanhei durante muitos anos teu empenho e dedicação à cultura na região, especialmente em Dois Irmãos. Hoje, vejo que estás sendo devidamente reconhecido. Parabéns e continue na luta. Muito obrigado, eu sempre te vi como uma força ao meu lado, pois pode ter certeza que tu faz parte desta história.

Cláudia Kunst

Site: www.curtoarte.com.br

Curto Arte no orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?rl=cpp&cmm=39701402

Sala Curto Arte: Av. São Miguel, 830 – fundos, Centro – Dois Irmãos – Fone: 51 3564-4888

Créditos das imagens: fotos: http://www.curtoarte.com.br – vídeo: Ralf Rodrigues