Less A Bullshit acertando o alvo
18/02/2010

“Que fique bem claro, fizemos música acima de tudo, rock”. E alguém duvida disso? Com um nome sugestivo como este, direto, explícito e auto explicativo, não tem como pensar noutra coisa senão numa banda de rock.

Less a Bullshit (L.A.B.) atira e acerta o alvo. Golpe de sorte? Trabalho árduo? Talento? Não se sabe ao certo se cada um destes itens é o que faz a diferença ou se o conjunto deles. E sem rodeios, o trio de Novo Hamburgo está alcançando o que muitas bandas com décadas de existência vem almejando. Participação no South by Southwest (Texas, USA), contrato com a gravadora londrina Curve Music, vários shows agendados e uma repercussão na mídia como promessa para 2010.

L.A.B. é formada por Dan Schneider – vocal, baixo, guitarra, sintetizadores e programação, Fe Fischer – guitarras, vocal e Moa Jnr. – bateria, percussão e vocal. Amigos e colegas de bandas remanescentes do rock do Vale do Sinos.

Dan Scheinder concedeu entrevista à revista + movimento e falou um pouco sobre a gravação do disco e sobre o som da banda que garante, apesar dos sintetizadores e programações eletrônicas, é rock.

Acompanhe na íntegra:

+ mov.Conte um pouco da história, de como surgiu a banda.
Dan Schneider – Era final de 2008. Eu e Fernando deixamos a Poliéster, banda em que tocávamos anteriormente, e montamos a L.A.B. junto com um amigo de adolescência do Fe, parceiro de primeira banda, o Moa.
Eu já estava compondo uma série de coisas, e no verão de 2009, demos início as atividades mesmo, ensaiando, tocando junto.

Qual o histórico dos integrantes da L.A.B. Bandas por onde já passaram, formação musical, etc.
Eu toco a mais de 20 anos. Sempre toquei instrumentos de corda. Guitarra, baixo, violão. Sintetizadores foi uma descoberta bem recente. Passei por várias bandas na adolescência, deixei um pouco de lado na época da faculdade, e retomei com força nos últimos anos. Minha última banda antes da L.A.B., assim como do Fe, era a Poliéster, de Novo Hamburgo também. Com ela, chegamos a participar do tradicional festival MADA, em Natal/RN, em 2008.
O Fe e o Moa tiveram banda juntos, na adolescência, eram amigos de infância praticamente. Começaram juntos. Depois, cada um desenvolveu outros projetos musicais. Fe tocava na Flash e Moa na Paradoxos do Tempo, ultimamente.

No myspace do grupo, há uma lista vasta de bandas que são suas influências. Onde podemos ouvir na música da L.A.B. nomes como Chico Buarque e Slayer?
Na verdade você está procurando as influências no lugar errado.
Ela está em nós em primeiro lugar. Estão guardadas. Talvez não apareçam explicitamente. Algumas aparecem, outras não.
Cresci ouvindo e tocando peso, hoje escuto menos. Slayer é a melhor banda de peso que já existiu. Mestres.
Quem sabe um dia, a gente toque uma num show. Quem sabe.
Na Rolling Stone saiu que nenhuma música sintetizava tão bem o leque de influências da banda, quanto “Uma Vida em 8 Bits” citando Chico Buarque, New Order e Depeche Mode. Talvez pela dissonância dos acordes, da harmonia, do clima brazilian junto a loops de bateria e sintetizadores vintage, de 8 bits. Chico tem letras muito boas. E algumas assim como essa, também falam sobre a simplicidade da vida.


O que fez a banda optar por cantar em português?
Não foi pensado. Foi automático. Falamos em português, não?
As letras são um aspecto muito importante para mim.
São pessoais e subjetivas. Elas dão um caráter único à banda. Canto a minha realidade e a minha verdade. Não é a única. Mas é a minha.
Fazemos questão que as pessoas consigam tirar algo daquilo que cantamos. Nem que seja para se divertirem, pura e simplesmente.

Até onde sei a banda está por completar seu primeiro ano de vida (não sei exatamente a data de fundação). Neste período, surgiram muitas resenhas em revistas, sites, convites para shows, participação num dos maiores eventos da América e um contrato com gravadora. Existe explicação pra tamanha repercussão?
Existe. Mas eu não sei exatamente qual é.
Não posso dizer que não existia nenhuma banda parecida com a L.A.B. no Brasil. Embora no auge da minha ignorância eu não conhecia.
Os principais fatores foram a música, é claro, e trabalho. Só isso.
Não pensamos em nenhum momento fazer algo inédito, para conseguir repercussão. Queríamos tocar, gravar, fazer shows. Tudo que uma banda normalmente quer.
Acabou que as canções foram sendo compostas e saindo de uma forma muito particular, principalmente pela linguagem utilizada em cada um dos instrumentos, e no resultado final disso.

O Rio Grande do Sul sempre teve a fama de ter as melhores bandas de rock. Sabemos de muitos nomes que vem surgindo sob influências da música eletrônica. Acredita que esta é uma nova era da música gaúcha?
Talvez sim. Mas continuamos fazendo rock, não? Apenas a linguagem é diferente. Quem já viu um show da L.A.B. entende o que eu quero dizer.
Isso não é um fenômeno gaúcho. É mundial.
A possibilidade da utilização de instrumentos virtuais, sintetizadores, emuladores de instrumentos caríssimos e inacessíveis a pouco tempo atrás, realmente me fascina e possibilita a utilização deles tanto numa gravação de uma música extremamente tradicional, erudita, num rock clássico emulando um Hammond ou um Fender Rhodes, ou em uma performance mais eletrônica ao vivo. As possibilidades são inúmeras.

Percebo que a tendência da música eletrônica está em evidência, e num formato diferente. Antes, não se via grupos deste estilo em cima do palco, tocando ao vivo. O que havia eram os DJs. Como vocês vêem esta evolução?
Como eu disse, a tendência da utilização de elementos eletrônicos é mundial. Seja qual for o tipo de música que você faz.
Mas com certeza, muita gente tem preconceito em relação a isso. Questão de conservadorismo mesmo.
Que fique bem claro, fizemos música acima de tudo, rock. Mas gostamos muito de barulhos estranhos, abrasivos, hipnóticos, repetitivos, etc na nossa música.

Vocês já foram citados por mídias como uma banda promessa para 2010. Qual banda vocês citam hoje, que pode vir a ser uma promessa, uma referência?
Não sei te dizer. Existem bandas que eu acho, na minha ignorância, que surgiram ontem, e já tem anos de banda.
Então realmente não sei dizer. Mas existem bandas novas muito boas.


O que vocês esperam do público em seus shows? Introspecção e reflexão diante das letras ou entusiasmo e passos saltitantes diante da empolgação dançante do ritmo?

Fizemos música. Sem a necessidade de uma música ter que soar assim ou assado. Desde que começamos. Temos canções mais introspectivas e reflexivas, como “O Falastrão” e “Sapatos ao Leite”, (essa última ainda inédita, estará no disco). Às vezes, deixamos algum som assim, de fora de um set list, porque queremos um show mais power geralmente.
Às vezes, tocamos nos shows, até porque não somos animadores de festinha. Somos músicos. E música tem altos e baixos. Assim como livros ou filmes.

Fale um pouco sobre o disco que está sendo preparado. Sabemos que está programado para este semestre ainda. Como será este lançamento?
Estamos terminando as gravações. Será lançado mundialmente pela Curve Music, gravadora de Londres/UK.
As estratégias de lançamento ainda não sabemos, até porque estão ainda sendo planejadas.

O que vem daqui pra frente?
Estamos bastante otimistas com 2010.
Tem o lançamento do nosso disco, agora em março a ida para o megafestival South by Southwest (Texas, USA), estamos recebendo convites de todo o país para festivais.
Vamos fazer muitos shows. Isso é certo. Vocês estão convidados!

Considerações finais e nosso agradecimento pela entrevista e votos de muito sucesso à banda.
Gostaria de colocar os links para que nos achem por aí, conheçam nossa música e fiquem em contato.

http://www.myspace.com/labrocklab

http://twitter.com/labrocklab

http://www.sonicbids.com/lab

http://curvemusic.net/

http://www.facebook.com/profile.php?ref=profile&id=1729075117#/profile.php?ref=profile&id=1729075117

Email para contato: labrocklab@gmail

Baita abraço! Muito obrigado,
Dan Schneider
L.A.B.

Fotos: Giovani Paim – http://www.giovanipaim.com.br / vídeo: Programa radarTVE

Cláudia Kunst