55ª Feira do Livro de Porto Alegre
10/11/2009

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A praça da Alfândega (Centro) anda agitada desde o dia 30 de outubro quando iniciou a 55ª Feira do Livro de Porto Alegre que irá até o dia 15 de novembro. A circulação de pessoas só diminuiu em alguns dias de chuva, porém em dias secos os corredores ficam interditados. A diversidade de editoras expostas agrada a todos os públicos. Há também alternativa para aqueles que não estão com o bolso cheio: balaios com ofertas e saldos por todos os lados e palestras com escritores e artistas que vem de fora do Estado como por exemplo a atriz, cantora e poetisa Elisa Lucianda que esteve essa semana declamando poemas no Auditório Barbosa Lessa, do Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo. A Feira também tem como tradição eleger patronos e entre eles já foram escolhidos nomes como João Simões Lopes Neto, Erico Veríssimo, Mario Quintana, Moacir Scliar, Luis Fernando Veríssimo, Caio Fernando Abreu, Lya Luft, entre outros. O patrono da Feira desse ano é o escritor Carlos Urbim que está celebrando 25 anos de sua carreira literária

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Um pouquinho da História

A primeira edição da Feira do Livro de Porto Alegre ocorreu no dia 16 de novembro de 1955 e o lema era: ‘Se o povo não vem à livraria, vamos levar a livraria ao povo’. Desde então foi um sucesso ao ar livre que prevaleceu por todos esses anos que se passaram, desde a sua primeira edição. O idealizador da Feira foi um jornalista chamado Say Marques que naquela época era diretor-secretário do Diário de Notícias e a sua inspiração aconteceu através de uma ida ao Rio de Janeiro quando visitou uma feira na Cinelândia. Naquela época as livrarias de Porto Alegre abrangiam apenas as pessoas consideradas de elite e com a idéia de Marques foi possível popularizar os livros que também atraem muito o público infantil que passeia entusiasmado pelas diversas casinhas de madeira forradas de cores e personagens infantis. Desde a feira ao ar livre, a população com menos recursos financeiros pôde ter acesso com descontos significativos.

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Van Gogh do preto e branco
12/10/2009

Luciano Leães Festival Antuerpia_Belgica

É difícil falar de alguém que muitos ja falaram e com tanta propriedade. Digno de matérias em revistas especializadas, o pianista porto-alegrense Luciano Leães é uma referência neste instrumento, no Rio Grande do Sul. Conheci Luciano Leães num show intimista com a Locomotores, em Ivoti/RS e fiquei impressionada com a performance e técnica do músico de 32 anos. Alguem que avassala o instrumento tanto solo, quanto com as quatro bandas com quem atua: Pata de Elefante, Acústicos & Valvulados, Locomotores e Fernando Noronha & Black Soul; esta última, responsável pela expansão de seu trabalho a novos horizontes.

Autodidata, Luciano declara que quer estudar mais sobre o instrumento que escolheu. Com humildade, diz que por não ter uma formação didática, os que conhecem a sonoridade percebem isso no toque das teclas. “Os pianistas de blues das antigas tocavam em pianos caindo aos pedaços, muitas vezes os que eram jogados fora, por exemplo”, exemplifica. O músico cita ainda o pintor Van Gogh, da qual se diz fã: “ele criou um estilo próprio, independente da academia”.

Para melhor expressar o que representa este artista, influenciado por seus tios a ingressar na arte de tocar piano ainda criança, a + movimento fez uma entrevista que pode responder muito sobre Luciano Leães. Baseado na simplicidade e na genialidade de Van Gogh, Luciano ao invés de colorir telas, consegue emocionar com teclas de apenas duas cores: preto e branco.

Leães A&V P&B

Qual a principal diferença entre as bandas com quem tocas?

Acho muito difícil falar em diferenças. Não fico analisando muito esse tipo de coisa, pois na música tudo rolou de forma muito natural para mim. Os músicos das bandas são muito amigos uns dos outros e passamos muito tempo juntos, mesmo quando não temos show. Os Acústicos vão gravar uma música para uma rádio e aparece o pessoal da Pata e dos Locomotores. A Fernando Noronha & Black Soul vai fazer um show e recebe como convidados a galera da Pata, dos Acústicos e dos Loco. Acho que isso acaba fazendo uma confusão saudável na minha cabeça.

Mas é claro que dá pra perceber uma diferença na sonoridade das bandas. O que define isso? Não saberia dizer com certeza, mas sem dúvida os músicos influenciam isso diretamente.  Digo isso porque a minha forma de tocar acaba sendo espontaneamente influenciada pela banda com quem estou tocando. Dependendo da combinação das peças a sonoridade pode mudar bastante. Acho que a única situação onde eu não me preocupo com nada é quando estou tocando minhas músicas no meu trabalho solo.

Mesmo tendo muitas influências em comum, a bagagem que cada um traz é diferente e muitas vezes o processo de composição, a forma de tocar ao vivo e até o gosto pessoal na hora fazer soar o instrumento e interagir abre uma gama enorme de possibilidades que é melhor nem tentar explicar. Música é algo mágico. Se tentarmos equacioná-la perderá a metade da graça e não chegaremos a lugar algum. O que eu sei é que me divirto muito e gosto bastante do som que as bandas produzem.

Desde que idade toca piano? Como começou? O que te fez chamar a atenção para este instrumento?

Foi pelos sete anos de idade que eu toquei os primeiros acordes. Na casa da minha avó paterna tinha um piano de parede que muitas vezes embalava as festas de família, principalmente natal e ano novo. Lembro dos meus dois tios pianistas que tocavam o instrumento. O legal é que um era estudado e lia muito bem enquanto o outro tinha muita facilidade para tocar de ouvido. Eu adorava ficar assistindo eles tocando. Acabei me apegando ao piano.

Foi questão de tempo para eu começar a “brincar” com as teclas e aprender algumas músicas com meus tios. Daí em diante a paixão pela música cresceu cada vez mais. No começo da adolescência eu já gostava muito de Rolling Stones e outras bandas de rock que me levaram a ouvir Chuck Berry. Ficava tentando tirar aquele piano que eu ouvia lá no fundo das gravações do Chuck, que vim a descobrir mais tarde que era do Johnnie Johnson. Numa viagem a Argentina, comprei um CD solo do Johnnie e então uma das minhas grandes diversões na infância e adolescência passou a ser tentar tocar blues. Daí em diante comecei a conhecer Memphis Slim, Billy Preston, Ray Charles, Professor Longhair, Jimmy Smith, Otis Spann, etc.

Fale-me um pouco da tua trajetória, qual tua primeira banda e como foi parar nas que atua hoje.

Na minha adolescência eu costumava tocar sozinho e não me juntava com outros amigos para tocar. Ficava mais em casa mesmo. Além de eu não ter sido um cara muito extrovertido no colégio, era muito difícil encontrar pessoas que gostassem do mesmo som que eu.  Isso aconteceu nos anos 80 e o pessoal do colégio tava muito ligado em Hard Rock e numa sonoridade mais oitentista mesmo. Como eu tocava basicamente blues e rock clássico não me misturava muito.

Um dia eu fui rolar um som com dois primos meus e senti um clima muito legal. Tocávamos uns sons mais das antigas misturados com algumas músicas mais conhecidas, que nos garantiam alguns shows em festas, projetos, etc. Se não me engano meu primeiro show “oficial” foi no Teatro de Arena num projeto chamado 10001 Noites. Eu devia ter uns 16 anos.

Com o tempo a banda foi se desmanchando, as responsabilidades batendo à porta e começou a chegar a hora da maioria “escolher uma profissão”. Eu e um dos meus primos, o Guilherme Pacheco (que hoje toca na  Alter Ego), seguimos tocando num esquema de piano e guitarra onde os dois cantavam. O repertório era uma mistura do que eu e ele gostávamos. Tive então a chance de tocar os meus “blues”.

FERNANDO NORONHA & BLACK SOUL – Numa dessas apresentações o Fernando Noronha apareceu e rolou um som com a gente. Algumas semanas depois eu já estava caindo na estrada com ele e a Black Soul. Essa parceria já dura mais de 11 anos e com a Black Soul tive a oportunidade de crescer muito como músico, viajar pelo mundo e tocar no mesmo palco de muita gente que eu achei que nunca veria nem ao vivo.

LOCOMOTORES – Um dia eu estava tocando com o Noronha num bar, e o Alexandre Papel (batera dos Locomotores e ex-integrante da Black Soul) apareceu por lá. Quando parei de tocar ele me disse que estava se juntando com um pessoal para montar uma banda de rock com composições próprias.  O Papel é meu irmão de longa data, desde os primeiros shows da Black Soul. Só o fato de ele estar envolvido já seria o suficiente para eu entrar no barco. Ele ainda me disse que o Márcio Petracco (ex TNT e meu parceiro da banda Os Buscapé, que tocava clássicos do rock em versão folk, mas folk mesmo, com bandolim, banjo, pedal steel, tábua de lavar roupa e afins), que é outro amigo de longa data, também estava nessa. Eu disse que tava dentro sem pensar duas vezes. Alguns dias depois já estavam os três reunidos junto com o Fuzzo (ex Malvados Azuis) e o Bocudo (ex Cachorro Grande), dois grandes músicos que eu nem conhecia muito bem na época. Enfim, os “ex” se juntaram e alguns meses depois estavam reunidos em estúdio para gravar o primeiro disco da banda.

ACÚSTICOS & VALVULADOS – Algum tempo depois de montar os Locomotores com os guris, o Rafael Mallenotti me ligou convidando para eu gravar o DVD Ao Vivo e a Cores dos Acústicos e Valvulados com eles. Já conhecia o pessoal da banda há muito tempo, tendo inclusive quase tocado com eles numa apresentação em 2000, na Casa de Cultura Mário Quintana, quando eu recém havia entrado na Black Soul. A gravação foi muito mais do que apenas um registro de um show para lançar um DVD. Foi uma grande celebração entre amigos. Enfim, uma grande festa. Algumas semanas depois da função toda eles me convidaram para entrar na banda e cair na estrada. Aceitei na hora, pois sempre admirei o trabalho e as pessoas que tocam na banda.

PATA DE ELEFANTE – Já na Pata a história começou no primeiro disco quando eles me convidaram para tocar fender rhodes em uma faixa. O Prego é um dos meus melhores amigos. Mas daqueles de sair pra comer churrasco praticamente toda semana (olha o colesterol jovem!). O Dani é meu companheiro de Acústicos e Valvulados e outro cara que admiro muito tanto como músico quanto pessoa. O Gabriel além de ser o guitarrista do meu projeto solo também é um cara que eu conheço há muito tempo e com quem tenho uma grande afinidade musical. Fiquei feliz quando me chamaram para gravar o segundo disco. Tocar ao vivo com a Pata de Elefante é uma experiência musical única, e volta e meia acabo tocando com eles.  O clima que rola com eles no palco é indescritível! Recentemente gravei o terceiro disco que está ficando tão bom quanto os anteriores. E olha que isso parecia ser uma tarefa bastante difícil.

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Quais tuas influências musicais?

Aprendi a tocar piano ouvindo muito blues. Ainda hoje é muito fácil me pegar tocando blues em casa, mas daqueles bem antigos e surrados. Isso acaba sendo bom, pois não me deixa fugir muito da fonte que bebi para aprender a tocar piano. Conseqüentemente acabei sendo muito influenciado pelo soul e  R&B . Para expressar isso em nomes, poderia citar como grandes influências o Ray Charles, Billy Preston, Jimmy Smith, Jimmy McGriff, Memphis Slim, Otis Spann, Johnnie Johnson, Dr John, Stevie Wonder, Donny Hathaway, Ike Turner, Little Richards, Fats Domino, etc.

O Rock também é uma influência muito forte na minha formação como músico.  Sempre gostei muito de ouvir os pianistas/organistas das bandas de rock como Ian McLagan (Faces), Ian Stewart (Stones), Nicky Hopkins (Stones), Steve Winwood (Spencer Davis, Blind Faith), Billy Preston (Stones/Beatles), Leon Russel (Joe Cocker), etc.

Apesar de já ter sido meio ortodoxo em relação ao blues e ao rock, hoje em dia estou mais aberto para ouvir todo tipo de música. Tudo pode te influenciar positivamente. Outras formas de expressão artísticas também podem te estimular musicalmente. É importante deixar o preconceito de lado e procurar ouvir de tudo para crescer. Trilhas de filme tem me influenciado muito nos últimos tempos, por exemplo. Tenho aprendido muito com o Henry Mancini, Nino Rota, Goran Bregovic, etc.

Há muitas bandas de rock, ou mesmo pop instrumentais hoje, como é a Pata de Elefante. Como tu analisas essa abertura de espaço para este tipo de som?

Acho muito legal o espaço que o rock e a música instrumental conquistaram. Acredito que a internet tenha tido um papel importante nesta abertura de espaço, pois de alguma forma estas bandas conseguiram “gritar” alto o suficiente para chamar atenção de grandes grupos e mostrar que elas também podem atingir um público numeroso, ecoando até em mídias do mainstream. Hoje em dá pra ver banda de rock com espaço até no Faustão. Ou seja, o rock está atingindo um público cada vez maior.

Por outro lado, acho que assim como tem gente que colabora muito para o crescimento do movimento e sabem valorizar os músicos, também é fácil encontrar muita banda boa sendo explorada e botando sua arte à disposição de pessoas que aproveitam este movimento para ganhar uma grana em cima delas.  Por fazerem o que gostam, acabam não sabendo reverter isso em uma valorização do seu trabalho. Acho que isso acontece porque na música trabalho e diversão andam sempre juntos e isso fica um pouco confuso na cabeça do músico. Mas chega uma hora que as contas começam a apertar e tu tens que aprender a valorizar o teu trabalho na marra. Afinal, se não pagares o aluguel, tu acaba no olho da rua. rs

Há futuro para bandas deste gênero?

Se eu falar que não tem eu tô ferrado (risos). Claro que tem. Mas é preciso acreditar e se jogar de cabeça. Tem que levar o trabalho muito a sério. Além disso, também vale considerar que junto com o trabalho vêm muitas coisas boas que acabam fazendo tudo valer a pena. Se eu já vivi só de blues no Brasil, mesmo que com muito esforço, com certeza dá pra viver de rock.

Luciano L..

Tu estás em diversas vertentes do rock, blues, em suas origens mesmo. Tocas na Black Soul, banda de apoio de Fernando Noronha, com Acústicos e Valvulados, puro rock n´roll, Locomotores também e na Pata de Elefante, instrumental, como dissemos na questão acima. Um prato cheio para aplicar todos os teus conhecimentos no piano, não é?

Essa é uma confusão que todo mundo acaba fazendo sobre a Black Soul. Na verdade Black Soul e Fernando Noronha é tudo a mesma coisa. A gente trabalha como uma banda normal. Na verdade a FN&BS é bem mais que uma banda: somos uma família.

Sobre tocar com todas essas bandas ser um prato cheio para aplicar os conhecimentos no piano, não tenho dúvidas disso! Quanto mais eu tocar e explorar os diferentes estilos que gosto, melhor. Aprendo muito tocando com diferentes bandas e músicos. A gente sempre tem muito pra aprender.

Fale dos maiores shows de tua vida.

Vou citar os que eu lembrar agora de cabeça: a estreia do meu trabalho solo no Festival Internacional de Blues de Ribeirão Preto (SP) em agosto deste ano (2009).

A abertura do show do BB King em 2001 quando fiquei frente a frente com o rei do blues e ouvi palavras de incentivo pra seguir tocando.

A abertura do show do Chuck Berry esse ano (2009), antigo parceiro do Johnnie Johnson que foi meu grande ídolo quando comecei a aprender a tocar piano. (O mais legal desse show foi que depois de toda a função convidei o pianista do Chuck pra ir jantar conosco pra comemorar o sucesso do show e fiquei amigo do cara).

Todas as oportunidades que tive de tocar com os bluesmen lá da gringa como Little Jimmy King, Carey Bell, Phil Guy, Magic Slim e Hubert Sumlin’.

A gravação do DVD dos Acústicos e Valvulados Ao Vivo e a Cores, que como eu já disse foi uma festa muito bonita.

A ultima segunda maluca no Opinião, onde ao final do show juntamos as bandas Locomotores e Pata de Elefante para tocar alguns clássicos com direito a duas baterias e tudo mais.

Além disso, posso citar diversos shows inesquecíveis nas turnês com a Fernando Noronha & Black Soul: Festival Internacional de Jazz de Montreal, Festival Internacional de Blues de Tremblanc, Festival Rythm’n’Blues na Antuérpia para milhares de pessoas bem no centro histórico da cidade, Festival Internacional de Jazz no Chile na beira do Rio Mapocho e os shows na Polônia onde a galera é completamente enlouquecida por blues e rock.

Que eu lembre no momento é isso.

Teus projetos futuros, quais são?

Além de continuar tocando com as bandas e trabalhar compondo trilhas para filmes, também estou dedicando mais tempo para o meu trabalho solo. Estou gravando algumas músicas minhas e já estou pensando em uma forma de disponibilizá-las quando estiverem prontas.

A estréia desse projeto não poderia ter sido melhor. Abri o Festival Internacional de Blues de Ribeirão Preto que estava comemorando 20 anos de história esse ano. Pra quem não sabe já passaram por lá nomes como Buddy Guy, Albert Collins, Junior Wells e Etta James. Foi muito  emocionante e divertido, sem falar que a aceitação do público e dos músicos foi muito boa. Vale citar que conto com três grandes músicos nessa minha nova empreitada: Alexandre Papel (Locomotores), Gabriel Guedes (Pata de Elefante) e Edu Meirelles (Severo em Marcha). Muito legal tocar com esses caras.

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Fale um pouco de ti, o que lê, o que ouve, o que faz quando não está tocando, gosta de silêncio, agito. Resuma Luciano Leães como um simples mortal…

Mortal e simples o tempo todo!!! Adoro silêncio e barulho. Depende da hora. O silêncio pode ser mais barulhento que o barulho de vez em quando (risos).

Sobre leituras, tem fases que leio muito e outras que fico um bom tempo sem ler. Recentemente li “Olho por Olho”, um livro do Lucas Figueiredo cujo assunto principal é a ditadura no Brasil (só fala que sente falta dos tempos da ditadura quem não faz a menor idéia do que aconteceu naquela época) e “Uma Temporada no Inferno com os Rolling Stones”, que narra a gravação do disco Exile on Main Street em Villa Nellcôte, na França. Também reli “De Vagões e Vagabundos” do Jack London. Na edição que eu comprei tem um conto bem interessante dele que se chama “Os Mascotes de Midas”.

Sobre música, ela está presente praticamente o tempo todo na minha vida. Adoro velharia, mas também procuro buscar novidades de tempos em tempos.

O que tenho escutado? Numa viagem recente que eu fiz comprei uns CDs que estavam em promoção num balaio para ouvir na estrada: Quincy Jones, James Brown, Herbie Hancock e Ike & Tina Turner. Demais!

Também comprei o Álbum Branco dos Beatles remasterizado que tenho escutado todo dia. Fiquei tão viciado com essa novidade que ontem comprei o Revolver e o Let It Be (principalmente por causa das teclas do Billy Preston).

Fale-me do que sente quando está sobre o palco.

Indescritível, mas é um dos poucos lugares onde eu realmente me sinto em casa.

Onde nasceu, qual idade, onde moras, estudas, formação…

Porto Alegre em 1977 (32 anos), Porto Alegre, Segundo grau completo,

Autodidata

Viajastes recentemente para a Europa. Como voltastes de la? O que acrescentou exatamente em tua carreira?

As turnês são muito importantes. Nesta última da Fernando Noronha & Black Soul foi rodamos mais de 8000 km tocando na Polônia, República Tcheca, Bélgica, Holanda, Espanha e França. Tocamos em festivais e casas que abriram portas para organizarmos em 2010 o que será a maior tour que já fizemos.  Essas turnês servem não apenas para crescermos como músico, mas também como pessoa. É uma aula de convivência. Se hoje em dia a Black Soul é uma família eu garanto que as viagens para o exterior são muito importantes para isso, pois na estrada todo mundo está na mesma e tem que jogar junto.

Conheça mais em:

www.myspace.com/lucianoleaes

www.fernandonoronha.com

Cláudia Kunst

Turnezinha pelos 35 anos de Ramones
11/06/2009

the_ramonesRamones, em Porto Alerge – 1994

(crédito: http://fabneme.blogspot.com/2008/01/1994.html)

Acontece no próximo mês, a turnê que CJ Ramone fará pelo Brasil em comemoração aos 35 anos da banda Ramones, da qual foi contrabaixista de 1989 até o fim das atividades do grupo, em 1996. Por incrível que pareça, Porto Alegre ficará de fora deste itinerário que será composto por seis cidades, e algumas, sequer compõem o roteiro de shows no Brasil.

Depois da apresentação da banda, no Gigantinho, em 1994, muitos dos ex-integrantes da banda passaram por aqui. Fossem shows solos, ou acompanhando grandes bandas em participações especiais.

Confesso que nunca fui fã da banda. Enquanto meus amigos de adolescência cultuavam Ramones, eu cultuava Iron maiden e coisas mais antigas, que meu pai ouvia em casa. Único álbum da banda que tenho é o Mondo Bizarro, que na minha humilde opinião é um baita disco.

Recentemente, comprei o DVD Ramones: Raw, um material com mais de cinco horas de gravações, contendo imagens de shows, bastidores, intervenções das mais diversas, tudo montagem caseira de Mark Ramone. Não assisti todo o material, mas o pouco que vi, me surpreendeu. Não é por nada que este DVD foi motivo de ouro nas vendas. E lá, consegui ter uma dimensão mais exata do que foram os Ramones.

Ramones, é nostálgico. Muito de meus amigos de adolescência idolatravam os Ramones. Muitos, já falecidos, por diversos motivos. Assim como alguns dos que passaram pelo grupo. Devo admitir que Ramones é uma das mais importantes bandas do cenário rock. Por mais que fizessem um som simples, sem firulas, eles agradavam até os mais críticos. Uma banda respeitada e como poucas, levadas como religião por seus seguidores.

Ramones mereceria uma turnê em comemoração aos 35 anos com o encontro dos músicos remanescentes, com tributo máximo aos já falecidos Joey, Johnny e Dee Dee. Não sou fã, mas reconheço o valor que a banda teve e tem no cenário musical mundial.

Mas como a música também é um mercado, vendável e lucrativo, o pessoal está correndo atrás da máquina. Sendo assim é cada um por si e Deus por todos! Adios Amigos!

cj-ramoneCJ e convidados, em julho, no Brasil

Serviço:

CJ, vem acompanhado do produtor e guitarrista Daniel Rey, por Brian Costanza (guitarra, Bad Chopper, atual banda de C.J.) e por Brant Bjork (bateria, ex-Queens of the Stone Age, Kyuss).

7 de julho no Clube Outs, em São Paulo, dia 8 em Cordeirópolis, SP, Goiânia, Goias no dia 9, Brasília, Distrito Federal no dia 10, dia 11 em Recife, Pernambuco PE e dia 12 em Araraquara, SP.

Cláudia Kunst

O groove agora é lei
25/03/2009

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Alguém aí tem noção do que trata a Lei da Groovidade? Não? Nem eu. Mas estou louca pra saber… Para facilitar a vida de nossos leitores e ter ao mesmo tempo o prazer de um bate papo com o produtor cultural e idealizador do projeto, Rafael Rubim, perguntamos algumas coisas sobre essa nova Lei que deve ser cumprida à risca, sujeita a penalidade máxima: o tédio. Com vocês, Rafael Rubim e a Lei da Groovidade.


Fale da tua trajetória como produtor… Bom, sou natural de Porto Alegre, morei oito anos em Florianópolis e voltei faz um ano para o RS. Comecei a trabalhar oficialmente com cultura em 2003, quando fazia parte do Centro Acadêmico, durante a faculdade de Engenharia, quando fui convidado para ser o responsável pelo Projeto Trama Universitário, divulgando o projeto e produzindo shows gratuitos. Depois disso, produzi eventos particulares, corporativos, festas, shows locais e nacionais, casas noturnas, projetos para Prefeituras, e por ai vai.

Como foi que resolveu investir na cultura do Rio Grande do Sul? Na verdade não invisto na cultura, ela investe em mim, mas como algo natural. Gosto de música, tenho um certo conhecimento e discernimento do que é bom. Vim para Porto Alegre para passar cinco dias e não voltei mais. Procurei algumas atividades relacionadas à cultura e um amigo, Alê Barreto me indicou o curso da Produtora Dedé Ribeiro. Me informei sobre, acabei fazendo a inscrição e meu período já se alongaria por 2 meses, que era a duração do curso. Como era apenas uma vez na semana, procurei algo para fazer e fui convidado para assumir a produção de uma casa noturna chamada Pé Palito, localizada na João Alfredo. Gostei da proposta da casa, que funciona há quatro anos e é especializada em música brasileira, tem o Dj Fred que é colecionador de discos de vinil, estou lá até hoje. Logo no fim do curso, a Dedé Ribeiro me chamou para um trabalho temporário na LIGA Produtora, onde ela é diretora, para produzir um evento nacional da Unimed, foi muito bacana trabalhar com ela, uma pessoal maravilhosa além se ser uma profissional exemplar. Durante esses três meses fui convidado pelo pianista Paulo Pinheiro para realizar um evento chamado Pianíssimo Pinheiro, no Teatro São Pedro, uma homenagem à família de pianistas Pinheiro, com convidados como Plauto Cruz, Jorginho do Trompete, Luis Fernando Veríssimo,…no total eram 22 artistas para coordenar…foi um sufoco, mas foi bem legal.

E tuas amizades por aqui, como se firmaram? Como morei aqui durante cinco anos antes de ir para Florianópolis, entre 1996 e 2001, já tinha vários amigos, músicos principalmente. Sou uma pessoa que se relaciona facilmente. Morando em Florianópolis fiz novas amizades depois que comecei a levar bandas daqui para lá, como a Zumbira e os Palmares, Pública, Ultramen, Alexandre Missél, Zé do Bêlo, Dj Fred (Pé Palito), Dj Jovi, King Jim, Os Arnaldos, Tonho Crocco, Subtropicais, Proveitosa Prática, Fruet e os Cozinheiros, aí quando voltei essa rede de relacionamento e amizade já estava montada.

Fale das tuas atividades culturais em Santa Catarina. Desde o Projeto Trama universitário, fiz parte da produção de uma festa chamada Nação Balanço, que trabalhei por dois anos, que era uma festa de música brasileira, voltada pro samba-rock. Depois produzi uma casa noturna chamada Drakkar, que recentemente abriu em Porto Alegre também, fiz shows de bandas como Los Hermanos, Nação Zumbi, Mundo Livre S.A., congressos nacionais, formaturas, festas de empresas, reveillon, aniversários, eventos de prefeituras municipais.

Como surgiu a Lei da Groovidade? Quem faz parte e como funciona? – A lei da Groovidade surgiu da falta de opção nesse tipo de som. São estilos que gosto muito, funk, soul, jazz, rare grooves e não tinha um lugar ou uma festa que tivesse só este tipo de som. Daí, convidei o baixista Leonardo Brawl e o percussionista Marcelo Brack, da banda de funk Proveitosa Prática para abraçarem comigo. Em novembro e dezembro as festas eram quinzenais, num bar chamado Sótão, nas terças. Em janeiro decidimos fazer semanal e a festa só cresceu, cada vez mais gente, pessoas ficando de fora por causa da lotação…a festinha está dando o que falar… Em abril estamos organizando um baile da Lei da Groovidade, com bandas de funk aqui de Porto Alegre mais os Djs residentes e convidados que já passaram por lá.

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Quantas edições já aconteceram? Estamos na 14° edição. Um projeto muito novo ainda, mas estamos investindo nele.

Como está sendo a receptividade das pessoas com esta proposta? Fale tanto do Rio Grande do Sul como Santa Catarina. Muito legal, é um som contagiante. As pessoas estão cansadas da rotina, mesmos lugares, mesmo som… temos essa proposta de buscar sons experimentais, grooves raros, do fundo do baú, colocar a rapaziada pra “groovar” na pista. A ideia era começar cedo e acabar cedo por ser numa terça-feira, mas essa idéia foi por água a baixo… As pessoas chegam cedo e vão embora quase de manhã. O público que frequenta é de uma faixa etária de 25 à 35 anos, muito exigentes na questão musical, então a pesquisa é cada vez maior, sempre querendo surpreender e botar fogo na pista. Fizemos uma temporada em Floripa, em fevereiro. É um projeto totalmente novo, não tem uma festa parecida…foi aos poucos, mas nas 2 últimas o bixo pegou, recebemos muitos elogios e convites para voltarmos. Em breve estaremos lá novamente.

Por que resolveram investir no groove, funk? É um estilo que curtes, pessoalmente falando? Sim, como falei anteriormente, o groove é um ritmo contagiante. É muito difícil uma pessoal escutar um James Brown, um The Meters, Fela Kuti, Tim Maia, Black Rio e não balançar o pescoço, não ficar batendo o pé… e é o que acontece nas festas, pessoal de solta e dança a noite toda, é muito legal ver isso, colocar um som que pessoalmente eu curto e ver que tem mais gente querendo isso, mesmo não conhecendo, dançar, vir perguntar o que é… é muito legal…

As pessoas não confundem o verdadeiro funk com o funk carioca, por exemplo? As pessoas que freqüentam a Lei da groovidade têm ciência do estilo? Sempre tem os alienados. Por mais que expliquemos nas divulgações, sempre tem alguém que cai de páraquedas, era mais comum no começo da festa, hoje pessoal já está sabendo o que rola, e para contornar isso, a divulgação é feita em cima da palavra groove e não do funk, para evitar essa confusão.

Fale da agenda do evento e de possíveis novidades que estão por vir. Recentemente tivemos vários convidados como Tonho Crocco e Dj Anderson da Ultramen, o Fred esteve presente em todas as edições, mas acabou achando melhor focar no projeto dele que é o Pé Palito, que ocupa muito tempo e energia dele. A grande maioria dos nossos convidados não são Djs, nem a gente é, mas estamos lá pra mostrar os grooves e colocar um bom som, da melhor maneira possível, sem “apresentação” propriamente dito. Oster, Caiaffo, Di, Simone Otto, Sabrina (ex-rádio Ipanema). Todas as terças, a partir das 22 horas tem a Lei da Groovidade no Sótão (João Alfredo, 383 – Cidade Baixa), sempre com os residentes Brawl, Marceleza e Rubim, e eventualmente convidados especiais. Por enquanto, além do Baile da Lei da Groovidade que vai rolar em abril, estamos criando o site, camisetas já foram feitas, temos apresentação agendada para Santa Maria, contatos com Gramado e em breve Floripa de novo…

Promoção

A revista + movimento e a Lei da Groovidade vão presentear vocês, leitores do blog e frequentadores da festa. Leva uma camiseta da Lei da Groovidade quem escrever a melhor frase contendo os temas Lei da Groovidade e + Movimento. As frases devem ser enviadas para: leidagroovidade@gmail.com até o final do mês de abril. A frase vencedora será publicada aqui no blog e nas respectivas comunidades do orkut.

Saiba mais em:

http://www.youtube.com/watch?v=pPhARkcHmX4

http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=17979439293436294468

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=57290654

Cláudia Kunst